Enquanto dirigente do maior sindicato de trabalhadores bancários no ativo, gosto de começar o ano fazendo uma breve reflexão sobre os desafios e oportunidades que se desenham no horizonte. No âmbito desse exercício institucional e também pessoal, identifiquei quatro grandes desafios que se desenham no horizonte em 2026.O primeiro é o da valorização dos salários e carreiras. O ano de 2025 revelou um desempenho assinalável da Banca nacional, com indicadores de capitalização e rentabilidade acima da média europeia, segundo o mais recente relatório do Banco Central Europeu. Este sucesso deve ser partilhado com os trabalhadores, através da melhoria das condições salariais e laborais, assegurando não apenas o ajustamento inflacionário, mas também o reconhecimento do contributo diário de todos os profissionais que sustentam a qualidade dos serviços e a confiança dos clientes.O segundo desafio é o de uma digitalização com propósito. A digitalização continuará a ser uma tendência estrutural da Banca em 2026, com destaque para o investimento em inteligência artificial (IA) e na melhoria de serviços digitais, como o homebanking. Contudo, a redução de balcões físicos não pode comprometer o acesso aos serviços bancários, sobretudo para populações de menor literacia financeira, nem afetar a coesão territorial.O terceiro desafio passa por assegurar um sistema bancário resiliente face à incerteza geopolítica. Em 2026, o sector bancário enfrenta um contexto global volátil, marcado por alterações nas relações entre os EUA e a União Europeia, pela estratégia económica da China e pela continuidade do conflito na Ucrânia. Apesar destas incertezas, a Banca nacional tem conseguido oferecer estabilidade e segurança a investidores e depositantes, apoiada em testes de stress positivos e na consolidação de quadros prudenciais e de supervisão robustos.O quarto desafio refere-se ao ambiente regulatório mais exigente e previsível. O quadro regulatório europeu entra em 2026 com maior estabilidade e instituições-chave plenamente operacionais. A nova Autoridade Europeia de Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo reforça a exigência sobre operações de risco elevado, enquanto a Autoridade Bancária Europeia aposta num regulamento mais simples e estável, incluindo a supervisão digital ao abrigo do Regulamento DORA. O BCE, com a inflação estabilizada, cria condições favoráveis à política monetária e à evolução da Banca, destacando 2026 como um ano decisivo para o avanço do Euro Digital, projeto que poderá redefinir o uso da moeda eletrónica na Europa.Portanto, caro leitor, temas muito importantes, nem sempre com a visibilidade necessária junto da opinião pública. Da minha parte, irei acompanhar de perto estas tendências, com especial enfoque na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores bancários e procurando sempre promover uma Banca mais justa, digitalmente avançada e socialmente responsável.A todos, votos de um Bom Ano.Presidente do SNQTB