Precisamos de um PRR 2.0

Portugal precisa de um segundo plano de recuperação. Quando se começou a falar de PRR, o país vivia uma crise económica motivada pelos muitos meses de contenção nos investimentos e, fundamentalmente, nos consumos. Esta retração teve como motivos anunciados a dificuldade em importar produtos, nomeadamente a partir da China, que motivaram dificuldades ao resto de mundo em produzir os seus próprios produtos. Não havendo produtos, não houve consumos e a economia abrandou.

A União Europeia onde felizmente nos integramos, fez o que faz tantas vezes, que é salvar a economia e injetar dinheiro no sistema para que tudo volte a funcionar. "Criou" o PRR, com muitos milhares de milhões, deixando ao governo a decisão de o aplicar onde mais se justificar. O governo aprovou já diversos programas que passam por apoios às empresas, por apoios às pessoas, às instituições do Estado, de modo genérico aos setores onde a recuperação e o aumento da resiliência sejam essenciais ao desenvolvimento da economia e do País. Estes são os pressupostos tantas vezes anunciados e que fazem todo o sentido, mas que nem sempre se percecionam.

Acontece que quando todos acreditávamos, que a solução para recuperarmos da pandemia estava encontrada, um eventual problema de saúde de um poderoso governante, desencadeou uma guerra com repercussões económicas e sociais à escala global, despoletando uma inflação de dimensão não experimentada ainda, pela maioria de nós. Os preços de bens essenciais como a energia ou os alimentos atingiram valores, que levarão a uma brutal retração do consumo e às consequências que daí advêm. Para as empresas e instituições públicas onde o preço da energia cresce na proporção do consumo, a situação está a tornar-se insustentável, com despesas que obrigam à procura urgente de uma solução.

"O governo apresentará na próxima segunda-feira o Orçamento de Estado para o próximo ano. Estamos muito a tempo de encontrar soluções que respondam aos anseios das pessoas, e consequentemente das empresas e das instituições onde estas trabalham."

Precisamos de um PRR 2.0 que mais do que ajudar a desenvolver novas valências, novas instalações, novas soluções, nos permita manter o que já conseguimos obter.

Em suma, as pessoas precisam de conseguir assegurar (tanto quanto possível) o pouco poder de compra que tinham conquistado, mantendo o status familiar, garantindo a educação dos filhos, a saúde, a habitação, o apoio aos idosos (que tantas vezes depende da geração ativa) e a sua saúde mental. As empresas precisam de garantir os postos de trabalho e os lucros dos empresários (mesmo que nos mínimos), sem os quais não há empresas. As instituições públicas precisam de ser tratadas como parte do estado que são. Se os dirigentes públicos forem confrontados com situações limite na gestão quotidiana, como está a acontecer nas instituições de ensino superior (e não só), nada os motivará para ajudar a construir o futuro.

O governo apresentará na próxima segunda-feira o Orçamento do Estado para o próximo ano. Estamos muito a tempo de encontrar soluções que respondam aos anseios das pessoas, e consequentemente das empresas e das instituições onde estas trabalham. São as pessoas que motivadas, ou não, fazem, ou não, mexer o País...

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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