Paz, pão, habitação, saúde, educação

A aproximação do 25 de Abril é sempre um bom pretexto para recordar o muito que foi conquistado, aquilo que a revolução tornou possível, o tanto que devemos a quem se empenhou na conquista da liberdade.

Bem sei que, cada vez mais, alguns setores da direita com bastante expressão na comunicação social se esforçam por destacar aquilo que não correu bem. Descontextualizam os acontecimentos, acentuam os excessos cometidos, responsabilizam o período pós-revolucionário de quase tudo que de mal existe no nosso país. É uma agenda ideológica. Mais do que atingir o 25 de Abril, pretendem desvalorizar as suas conquistas.

É óbvio que numa revolução nunca corre tudo bem. Houve certamente erros, desvios e insuficiências. Mas, considerando a situação de então no país e no mundo, correu extraordinariamente bem. Evitou-se uma guerra civil e fez-se eleições livres; aprovou-se a Constituição e respeitaram-se os direitos dos cidadãos; elegeu-se deputados e autarcas em liberdade e os governos passaram a emergir da vontade popular. Conseguiu-se concretizar o primeiro D de Abril: Democratizar.

O segundo D era de Descolonizar.
O país estava exausto de uma guerra colonial que era não apenas insustentável, mas também moralmente inaceitável num tempo em que todos os outros países europeus já há muito tinham descolonizado. Não houve condições nem tempo para uma transição devidamente planeada. A guerra fria tratou do resto e vários dos novos países caíram na guerra civil. Era possível fazer melhor? Claro que sim... Se a descolonização tivesse começado anos antes.

Finalmente, o D de Desenvolver. É o objetivo em construção. Mas isso não nos deve fazer desconsiderar o enorme percurso já realizado.

O país mudou muito desde 1974, e decisivamente para melhor. Portugal era um país profundamente desigual, com grandes impérios empresariais concentrados em algumas famílias com nomes sonantes, ao mesmo tempo que a maioria da população vivia com imensas carências, tanto nas zonas rurais como nas maiores cidades, então cercadas por enormes bairros de lata. O refrão da música do Sérgio Godinho que escolhi para título era claro acerca dos desafios que enfrentávamos.

Hoje ainda persistem muitas desigualdades, mas elas estão longe das que herdámos da ditadura. A pobreza recuou de forma acentuada, nomeadamente entre os idosos, onde baixou para metade nos últimos 25 anos. O analfabetismo, que antes atingia um em quatro adultos, está em valores residuais. A taxa de mortalidade infantil reduziu-se cerca de 20 vezes.

Não tenho dúvidas de que foram as conquistas de Abril que mais contribuíram para este progresso. O SNS, a escola pública, o sistema de proteção social universal. Ou seja, os serviços públicos baseados num conceito de solidariedade que os tornava impossíveis antes de Abril.

Foi muito o que conseguimos e temos razões para nos orgulharmos. Mas sabemos também que podemos ir mais longe, dar uns passos mais para concretizar o terceiro D.

Que não nos falte ambição e que as pequenas lutas políticas não nos façam perder o bem maior.

17 VALORES
Governo

Clareza, transparência e credibilidade. Tem sido a marca da comunicação do governo relativamente aos dados da pandemia e aos critérios para o desconfinamento. Tem inspirado confiança e contribuído para que as medidas sejam genericamente bem acolhidas pelos cidadãos.

Eurodeputado

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