"É uma Coca-Cola com gelo. Só gelo!"

É uma das lutas mais antigas que travo: pedir uma Coca-Cola com gelo, mas sem limão. Não sei quem inventou a mania de pôr limão com o famoso refrigerante estado-unidense - isto para evitar estar sempre a escrever o nome da marca, que aqui ninguém quer estar a fazer publicidade -, mas teve uma péssima ideia. O limão altera o sabor da bebida para pior e retira a força do gás. Um autêntico desastre. Basta bebê-la com gelo, e quanto mais gelada melhor.

E eu peço sempre: "É uma Coca-Cola com gelo." E quase soletro: "Só-com-ge-lo!" E muitas vezes acrescento: "Sem limão!" Serve-me de pouco. Ou vem com gelo e limão ou, pior, os empregados de mesa trocam-se e trazem o refrigerante apenas com limão. Ser empregado de mesa não é para qualquer um.

Eu não teria o menor jeito para exercer esta tarefa e seria, certamente, uma nódoa. Por isso, respeito profundamente quem está todo o dia a atender clientes, por vezes chatos, por vezes até malcriados. Mas custa assim tanto ouvir o que foi pedido com atenção?

E por que razão os empregados de mesa assumem sempre que queremos Coca-Cola com gelo e limão? Acho que morrerei com esta dúvida.

Outra dúvida com que ficarei para toda a eternidade é a razão pela qual se faz tanto barulho com a louça nos cafés portugueses. Em qualquer outro lugar da Europa (fora dela conheço pior) não se ouve pratos, chávenas e pires a chocalhar e a fazer aquele barulho estridente e incomodativo. Por vezes parece que atiram com a louça com força para mostrar que a estão a lavar, para mostrar que estão a trabalhar. É um fenómeno que me ultrapassa mas que me faz dores de cabeça. E aí o gelo também é uma solução, mas para pôr na testa...

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