Porque sentimos necessidade de antecipar o Natal?

Este ano queremos que o Natal chegue mais cedo e, por isso, antecipamos as decorações e as compras. Porquê? De que modo nos ajuda isto a sentir melhor?

A celebração do Natal é um ritual. Independentemente das crenças de cada família, é um ritual anual que confere previsibilidade, estabilidade e maior sensação de controlo. Ao mesmo tempo, reforça os vínculos afectivos com as pessoas de quem gostamos, gerando sentimentos de bem-estar, alegria e compaixão. O Natal é ainda associado a partilha, amor e esperança, emoções agradáveis que contrastam com a angústia, a ansiedade e as perdas que tantos de nós temos vivido nos últimos meses.

Neste contexto atípico e de incerteza em que vivemos, planear este ritual torna-se ainda mais importante. É como se a vida à nossa volta voltasse a ser «normal» durante algum tempo, permitindo-nos focar a atenção em aspectos positivos e, em paralelo, minimizar os negativos. É como colocar um filtro nos nossos pensamentos, deixando à tona apenas aqueles que nos ajudam a sentir bem.

Enquanto estivermos focados na árvore de Natal, no presépio e na lista de compras para a ceia, não pensamos no vírus, no desemprego e em tantas outras ameaças. E até podemos ouvir as notícias que desanimam... um pouco menos, quando vemos as luzinhas a piscar.

Para as crianças o Natal é também muito importante, e não apenas pelos presentes, como possamos imaginar, mas sobretudo por quem está presente. Pela oportunidade de estar em família. E a verdade é que cada vez mais ouço crianças e jovens afirmar isto mesmo, deitando por terra aquela imagem estereotipada das crianças que apenas valorizam os bens materiais.

Importa, porém, ter em conta duas situações.

Em primeiro lugar, compreender e aceitar que muitas pessoas possam não sentir qualquer vontade em celebrar. A tristeza, as saudades e os lutos requerem tempo para ser processados e tê-lo é um direito de todos nós. Saibamos, por isso, respeitar o tempo e o espaço que algumas pessoas possam precisar.

Em segundo lugar, que esta necessidade de celebração não nos tolde a visão e impeça de sermos conscientes e responsáveis. Que saibamos conciliar a festa e o convívio com a segurança de todos.

E se o Natal este ano for diferente, com algumas restrições? Pois será. Acredito que encontraremos dentro de nós estratégias para lidar com essa diferença e aprender com ela. Se o Natal é quando um homem quiser, também pode ser como um homem quiser.

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