O Mimolette de De Gaulle

Homem de personalidade talhada por duas Grandes Guerras, balas cravadas no corpo, anos de cativeiro e de exílio, Charles de Gaulle não era propriamente um adepto da política partidária.

Oficial do terreno, formado nas trincheiras, De Gaulle comandou desde Londres a resistência francesa na II Guerra Mundial e tomou em mãos o governo provisório que reergueu a França do pós-guerra, lançando as bases daquilo que a história registou como os Trente Glorieuses - um período de 30 anos (1945-75) de crescimento sem precedentes.

A governação cansou-o bem mais rapidamente do que anos de resistência contra os nazis de Hitler e o governo-fantoche de Petain (general francês e primeiro-ministro que aceitou a ocupação alemã e instalou o regime em Vichy durante a II Guerra Mundial). Em janeiro de 1946, nem dois anos passados como chefe do governo, fartou-se do "caderno de encargos" dos parceiros comunistas na coligação e retirou-se da vida política. Foi por essa altura que soltou um célebre desabafo: "Como é possível governar um país que tem 246 variedades de queijo?"

Para De Gaulle, as coisas eram "pão, pão, Mimolette, Mimolette" - o típico queijo alaranjado e de crosta áspera, da região de Lille, de que o general era fervoroso adepto. Voltaria ao poder em 1958, só com garantias reforçadas em torno da sua figura presidencial. Mas que diria hoje, que a França produz já mais de mil tipos diferentes de queijo? "Ingovernável", por certo.

Por cá, onde em tempos um queijo também já foi vedeta na discussão de um orçamento, a tábua servida no Parlamento ganhou novas variedades e o palato da governação pode agora combinar diferentes sabores. Tal como as experiências degustativas, também as políticas celebram maior diversidade. Saber criar uma boa tábua de queijos é cada vez mais uma virtude.

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