Dos campos de futebol para o museu

Quem costuma visitar o Museu de Serralves já reparou nele, seguramente. Figura afável, de sorriso disponível, dentro da discrição da função. Há quem lhe chame o Obama do museu, pelas parecenças fisionómicas com o ex-presidente norte-americano e, arrisco, pela empatia que gera a quem o procura em busca de informações Manuel Penteado é um assistente de sala prestável e conhecedor.


Para a maioria dos milhares de visitantes que passam pelo museu de arte contemporânea será apenas isso. O simpático «Obama» de Serralves. Estudou para isso depois de uma carreira feita noutra profissão na qual foi artista, idolatrado (e vilipendiado) semana a semana na mais popular das expressões culturais, que é o futebol.

Para quem cresceu na década de 1980, ele era um dos heróis dos sonhos de criança, avançado-centro com o golo por missão. Uma das minhas primeiras memórias futebolísticas de infância teve-o como protagonista, em 1984, num dérbi com o Boavista, crucial para a manutenção do Salgueiros na primeira divisão. Penteado saltou mais alto do que o guarda-redes e marcou de cabeça o golo que salvou a equipa. Naquele domingo, ele foi o herói.

Jogou também no FC Porto de Pedroto e tornou-se ídolo no Leixões, ao longo de uma carreira que terminou muitos anos depois, no anonimato das divisões inferiores. Tentou ainda a sorte como treinador, mas a instabilidade de uma vida de promessas por pagar levou-o a procurar outros ares. A reinventar-se. Fê-lo em Serralves, onde está há 15 anos (tem agora 60) capaz de distribuir conhecimento e simpatia por quem o procura.

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