Banca e viva a Espanha!

Desta vez os grandes defensores dos centros de decisão nacional ficaram muito caladinhos. Nesta semana o Abanca chegou a acordo para comprar 95% do Eurobic e não se ouviram vozes a falar e a criticar a "espanholização da banca".

Mas sim, é disso que se trata. O Eurobic é um banco português da liga dos grandes, convém lembrar que se trata do antigo BPN, e tem uma extensa rede de retalho de 184 agências. Por isso, torna-se interessante para os nossos vizinhos concorrentes que querem crescer em mercado lusitano.

A empresária Isabel dos Santos colocou à venda os 42,5% na sequência do processo Luanda Leaks. Apareceram interessados espanhóis e chineses, mas foram os espanhóis que mais rapidamente avançaram na arena. E avançaram com ganas, já que o Abanca sempre afirmou querer uma posição de controlo no banco português e pretende deter 95%. Além de ficar com os 42,5% da empresária, poderá ficar com os 37,5% de Fernando Teles e com mais 5% de cada um dos seguintes três empresários: Luís Cortez dos Santos, Manuel Pinheiro Fernandes e Sebastião Lavrador.

Em Portugal, o Abanca já tinha adquirido a rede do Deutsch Bank e acumulava 70 agências, agora com o Eurobic passa para um total de 254 postos de atendimento. A acontecer, esta será a segunda aquisição do banco espanhol em território português, depois de em Espanha ter feito cinco aquisições desde 2014. Ambição não lhe tem faltado e tem tido o "amén" do Banco Central Europeu (BCE).

Ao que tudo indica, o mesmo BCE não irá opor-se a mais esta compra, pelo contrário até lhe agradará que o banco fique em mãos europeias. É nesse sentido que se tem pautado toda a estratégia nos últimos anos.

Além do ok do BCE, antes falta ainda conhecer a auditoria profunda às contas do Eurobic e também ver a luz verde dada pelo Banco de Portugal, também quase certa.

O slogan de marketing do Abanca é "uma nova forma de pensar" e pelos vistos é pensar em grande. Com esta aquisição, o banco espanhol fará crescer o volume de negócios em 14%, somando depósitos e crédito. E juntas, as duas instituições somarão 97 milhões de euros de volume de negócios.

Eis que está prestes a nascer mais um banco gigante em território nacional, mas com sangue espanhol. E desta vez calaram-se as vozes que no passado - e desde que António Champalimaud vendeu o Banco Totta & Açores ao hispânico Santander - tanto criticaram a "espanholização da banca" e a "perda dos centros de decisão nacionais". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

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