O Facebook vai mudar outra vez (outra vez)

O Facebook irrita-me. Pronto, assumo-o. Mesmo passados quase dez anos de utilização pessoal e profissional da maior rede social do mundo, a criação de Mark Zuckerberg continua a fazer-me comichões nos dentes.

E não é fácil explicar exatamente porquê. Tecnicamente, a plataforma é incrível. A quantidade de serviços online que disponibiliza - das mensagens instantâneas às galerias de fotos, passando pelos mais recentes vídeos em direto e experiências em realidade virtual - é imensa e, acima de tudo, funciona (quase) sempre.

Hoje podemos afirmar sem margem para dúvidas que, mais do que o YouTube (que até foi Personalidade do Ano da revista Time...) ou o Twitter, o Facebook é a sublimação da chamada "Web 2.0" - a internet feita pelos utilizadores, e não por empresas ou grupos de interesses, em que as escolhas de cada um definem só por si os conteúdos que circulam na rede.

E no entanto... A incapacidade desta rede social em controlar rápida e eficazmente as vulgarmente as chamadas "fake news"; as ridículas políticas de censura de conteúdos, que classificam obras de arte ou fotos de férias como "pornografia"; a permeabilidade a bots e outras ferramentas de pirataria informática, como as que os russos utilizaram para influenciar as últimas eleições presidenciais americanas... tudo isto (e mais algumas coisas) seriam razão suficiente para não gostar de saber que a maioria dos utilizadores da internet no mundo ocidental dependem do Facebook para se informarem - e, em consequência, tomarem decisões de vida importantes (como em quem votar, por exemplo!).

Mas também não é exatamente por isto que o Facebook me irrita.

Para a minha cabeça, a pior coisa desta rede social é a forma como está programada para mostrar os conteúdos aos utilizadores. Isto porque a coisa é, simplesmente, incompreensível (suspeito que até para os próprios técnicos da empresa).

Detesto não conseguir perceber o que o "sistema" está a fazer. Sou do tipo de pessoas que, na informática, querem poder controlar a estrutura de pastas, definir os locais onde cada tipo de ficheiro é gravado, compreender que programas ou serviços estão a correr em background e para que servem.

No Facebook, na perspetiva do simples utilizador, o equivalente mais básico seria conseguir controlar a ordem por que os conteúdos nos são apresentados. O que é praticamente impossível. Estamos à mercê dos caprichos de Zuckerberg e companhia relativamente aos critérios programados.

Ainda por cima, estas escolhas são feitas de forma pouco transparente. O Facebook informa quando vai realizar alguma alteração maior no algoritmo, mas nada diz sobre as "afinações" que (muito provavelmente) vão sendo introduzidas de semana para semana ou assim. E mesmo quando diz alguma coisa, é quase sempre com uma linguagem vaga, tipo "vamos dar prioridade aos conteúdos dos seus amigos" - uma das mais recentes alterações. E se eu não quiser? Paciência. Sim, posso ir às páginas de jornais e empresas que sigo dizer para "mostrar primeiro", mas nitidamente não é solução - já o fiz e estou a receber menos publicações dos grupos que sigo do que recebia antes da mudança.

Nos últimos dias, ficámos a saber ainda de outra alteração: vamos (finalmente) poder dar um "voto negativo" aos comentários dos outros utilizadores. Quer isto dizer que vai aparecer um ícone de desagrado (uma seta para baixo) para classificarmos as opiniões de que não gostamos.

A medida, que está neste momento em testes, só peca por tardia. E nada garante que seja uma coisa para ficar. Tal como praticamente tudo nesta plataforma, vai depender do estado de espírito com que estiver Zuckerberg nesta altura do ano...

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