Deliciosa solidão no Antigo Egito

Provavelmente, o melhor jogo de 2017

O deserto é algo estranhamente belo. O ondular das dunas a perder de vista, as subtis variações de tom na quase monocromática areia, o contraste do solo com o azul do céu... É um ambiente fatalmente hostil para a maioria das formas de vida mas que encerra um fascínio que nos leva a explorá-lo, numa permanente inquietude de descobrir o que está para lá do horizonte.

Até porque nunca se sabe o que vamos descobrir. Um fértil oásis? Uma povoação? As ruínas de um templo antigo? Ou um forte com perigosos inimigos e valiosos tesouros?

Estas são apenas algumas das sensações que proporciona Assassin"s Creed Origins, jogo para PS4, Xbox One ou PC. Neste décimo título da série, a Ubisoft reinventa a saga, ainda que sem quebrar com o passado, e consegue criar aquele que é, provavelmente, o melhor jogo de 2017.

Em Origins, recuamos até ao Egito dos anos 40 a.C., para explorar as origens do universo ficcional, mas baseado em factos históricos, de Assassin"s Creed.

No imenso mundo aberto do jogo, mergulhamos numa civilização que já era antiga neste período da Antiguidade. Um Egito já parte do Império Romano, no qual os mais importantes marcos da sua civilização - da esfinge às pirâmides - já têm séculos. Tudo representado com um nível de fiabilidade histórica tão elevado que está já prometido (através de um download a disponibilizar no início do próximo ano) a opção de explorar para fins educacionais o cenário do jogo, quase como se de um museu interativo se tratasse.

A história que aqui vivemos lida com a opressão dos mais fracos, abuso de poder dos mais ricos, luta por alguma justiça e vingança, com intensas lutas e batalhas - tanto em terra como na água - e muitas missões furtivas. Além de outras tantas de pura exploração, incluindo subaquática.

Dito de outra forma: em Assassin"s Creed Origins há de tudo para todos (incluindo corridas de carros ao género de Ben-Hur). Exceto para quem não passa sem um jogo multiplayer.

É que Origins é um verdadeiro role playing game totalmente a solo. A Ubisoft optou por não incluir, desta vez, qualquer modo de jogo cooperativo online, algo que parece ser quase obrigatório nos lançamentos atuais. E só ganhou com isso.

Ainda que os modos de jogo em comunidade, seja com amigos ou com desconhecidos, permitam interessantes opções de jogabilidade - um bom exemplo é o recente GT: Sport, em que os pilotos de sofá podem competir com outros de todo o mundo, conseguindo-se assim um realismo impossível de concretizar de outra forma -, muitas vezes deixam para trás um dos maiores encantos dos jogos de computador: a possibilidade de competir consigo próprio ou de descobrir o enredo sem pressões externas.

Assassin"s Creed Origins é, também deste modo, um certo regresso às origens dos próprios jogos de vídeo. É um jogo a solo, uma imensa campanha de exploração daquilo que a máquina tem para oferecer, horas de desafios a ultrapassar, segredos para descobrir, prémios para obter.

Frente a este ecrã, a solidão nunca foi tão agradável.

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