Premium Cristina Ferreira mete nojo?

Quando há 30 e tal anos comecei a escrever em jornais encontrei nas redações da imprensa, da rádio e da televisão desse tempo vários jornalistas, escritores e cronistas, homens e mulheres, relevantes, influentes, poderosos, que se orgulhavam de, em alguma altura da sua carreira, terem escrito para publicações populares e femininas da época.

Muitos jornalistas explicavam que, 10 ou 20 anos antes, durante o Estado Novo, o facto de terem escrito para campeãs de audiências de então, como as revistas "Moda e Bordados" ou "Crónica Feminina", lhes tinha ajudado a garantir trabalho extra e uma fonte de rendimento que era (sobretudo para intelectuais rotulados como "comunistas") difícil de garantir na imprensa diária. E várias jornalistas mulheres, num mundo profissional extremamente machista, simplesmente não encontravam emprego noutro sítio.

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