Agostar

Em francês há um nome para as pessoas que tiram férias em agosto: aoûtiens, qualquer coisa como agostianos ou, porque não, agostinhos, que também serve, indica-me o dicionário, para frutos que aparecem em agosto. Ora eu não sou agostinha, sou mais juinetiste ou até mesmo junina (para os adeptos das férias neste mês os franceses já não têm nome). Ou seja, faço parte dos que estão com pressa para ir de férias, gostam dos dias mais longos, querem evitar multidões e os preços exorbitantes da época alta. Espera-me depois um agosto tranquilo na cidade e geralmente complicado no trabalho... porque está toda a gente de férias. Mas claro que quando era pequena pertenci muitas vezes à maioria moral de agostinhos e acho que um nome faz mesmo falta. É daquelas palavras que não sabíamos que faziam falta até vermos que os outros têm, como quando os estrangeiros ficam apaixonados pela nossa saudade. E esta nem sequer é intraduzível. Intraduzível sim foi o meu espanto ao procurar sítios para ficar na primeira semana de agosto: pagar por uma semana o dobro do que pago de renda não é uma opção e uma tenda no quintal de alguém por 40 euros por noite só me faz rir.

Os meus pais chegaram a acampar na praia nos anos 1970, mas com um bebé a logística é demasiado complicada (nunca os impediu a eles, no entanto). Mas quando aparecem férias inesperadas em agosto, estou a aprender, o pior que podemos fazer é queixarmo-nos da altura e o melhor é aproveitar. Portanto neste ano agostinha me declaro, pronta para agostar (o dicionário diz que é murchar ou amadurecer com o calor de agosto mas para mim passa a ser o que fazem os agostianos).

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