O entretenimento em 2015

O acontecimento do ano na oferta do entretenimento televisivo não é tanto o aparecimento de novos conteúdos mas, sim, o facto de um reality show da TVI ter sido vencido por um programa de talentos, neste caso o The Voice da RTP. Há quem veja aqui uma tendência, trata-se no entanto de um episódio isolado e reversível já nas próximas semanas. O que sucede é que o The Voice, na realidade um programa extraordinário dentro do género, está invulgarmente bem concebido e produzido e, desta vez, a TVI, foi errática em aspetos - do casting, ao ritmo das galas - em que não costuma facilitar.

Em geral o ano foi pobre. A SIC, por exemplo, repetiu formatos e deu-se mal ou muito mal com todos. É preciso rever a estratégia de alto a baixo, tarefa mais complexa em tempo de pressão orçamental. Porque não funcionam hoje programas que tiveram num passado recente impacto avassalador como o Ídolos? A SIC tem de rever também os seus rostos que hoje são parte do problema e não da solução mesmo quando há surpresas interessantes como foi o caso de Diana Chaves no Achas Que Sabes Dançar.

A RTP teve dois ou três picos no ano, com destaque para o já referido The Voice e para o Got Talent Portugal com bom desempenho entre janeiro e abril.

A TVI voltou a ser dominadora, mesmo sem novidades. Os sucedâneos da Casa dos Segredos servidos logo a seguir ao ano novo foram uma excelente solução de programação - e de poupança de custos - e, mais tarde, o facto que deve ser registado é o regresso em bom estilo de Fátima Lopes ao horário nobre. O canal, mesmo com outras soluções que dão garantias, comete um erro ao deixar Fátima de lado durante tanto tempo.

Este texto podia acabar aqui porque, no grande entretenimento em Portugal a televisão acaba aqui e o risco é termos menos em 2016. Uma tristeza, desde logo para os espectadores e uma preocupação para todos os agentes da indústria.

O que está para lá disto é a máquina em movimento. Programas de contacto que são os mesmos, ou parecidos, há anos e nisso é assim no mundo inteiro, tendo em 2015 regressado a Praça. O regresso em si foi um erro, mas recuperar diariamente a dupla Jorge Gabriel-Sónia Araújo foi uma decisão acertada. Contraditório? Não. Era necessário que eles se reinventassem e noutro horário, não que fizessem mais do mesmo como se o tempo não tivesse passado.

Resta o território dos concursos, o chamado entretenimento ligeiro em que só O Preço Certo tem hoje impacto junto do seu público. A TVI fez um esforço, mas pontual, com The Money Drop, e o concurso da noite da RTP tornou-se irrelevante mesmo com um apresentador da qualidade de José Carlos Malato.

Como produzir entretenimento é caro, 2016 faz-se anunciar como um ano sombrio.

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