El Portugués de La Liga

Lembro-me de que fez a manchete no jornal Marca num dia de janeiro de 1993. Uma fotografia de Paulo Futre ao lado do então presidente do Benfica, Jorge de Brito, com o título "Adeus Jesus".

Jesus era Gil y Gil, o malogrado e polémico presidente do Atlético de Madrid, que cinco anos e meio antes tinha ganho as eleições à custa do extremo português, depois de o ter anunciado como reforço numa apresentação feita numa discoteca de Madrid com cinco mil adeptos. Típico de Gil y Gil, um líder à moda antiga, que se deixava fotografar em piscinas rodeado de mulheres e de charuto na boca.
A liga espanhola sempre teve muitos jogadores portugueses. Houve Luís Figo, depois Cristiano Ronaldo. Antes tinha havido Jorge Mendonça, também no Atlético, que eu não vi jogar mas que foi um dos grandes jogadores dos colchoneros.

Talvez pelo momento e pela forma como aconteceu (uma moradia com piscina e um Porsche amarelo como prémios de assinatura entre outros episódios rocambolescos), nunca vou esquecer-me do espetáculo que era ver o Paulo Futre jogar no Atlético. Os dribles, os sprints e a forma como trabalhava a bola à entrada da área antes de chutar à baliza eram pormenores deliciosos. Até as famosas quedas para arrancar penáltis eram uma arte, como o próprio chegou a dizer.

Futre foi provavelmente o primeiro grande embaixador português do futebol espanhol em termos de mediatismo. E apesar de não ter tido o sucesso alicerçado em termos de títulos (apenas duas Taças do Rei), foi um jogador que deixou marca.

Antes do Atlético teve a oportunidade de jogar no Barcelona. E depois do Atlético, quando estava em Marselha, teve a possibilidade de assinar pelo Real Madrid. Chegou a dizer que terá sido provavelmente o único jogador do mundo a dizer não ao Real. Mas na altura pensou no inferno que seria viver na capital espanhola dada a sua forte ligação ao Atlético. E por isso disse não, muito obrigado. E que curiosidade eu tinha de ter visto o Futre jogar com aquela camisola branca.

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