Japão, Alemanha, Brasil e Índia no topo da ONU já

Desde 1945, a população triplicou para sete mil milhões, África passou de continente colonizado para mais de 50 países independentes, o homem foi à Lua, a União Soviética desapareceu e a internet revolucionou as comunicações. Mas nada mudou no Conselho de Segurança da ONU, onde os vencedores da Segunda Guerra Mundial permanecem os únicos com assento permanente e direito de veto. Vendo bem, é tão estranho como se o mundo tivesse sido congelado há 70 anos, com os habitantes a serem dois mil milhões, África só tivesse quatro nações independentes, os satélites continuassem por inventar, Estaline mandasse no Kremlin e as cartas não tivessem sido substituídas pelo e-mail. E os grandes injustiçados são o Japão, a Alemanha, o Brasil e a Índia.

Já se sabe que a Conferência de São Francisco, iniciada ainda antes do conflito acabar na Europa, se destinou apenas aos 46 países que tinham declarado guerra ao Eixo, a que se somaram duas repúblicas soviéticas (Bielorrússia e Ucrânia), a recém-libertada Dinamarca e a Argentina, para se chegar aos míticos 50 fundadores.

Claro, Japão e Alemanha ficaram excluídos, com o primeiro a aderir em 1956 e a segunda só em 1973, quando houve acordo para a entrada da RFA e RDA. Já a Índia, embora colónia até 1947, consta como fundador, tal como o Brasil, que chegou a ambicionar ser membro permanente, mas ficou de fora quando os soviéticos impuseram o limite de cinco e foi patente que França seria prioritária.

Hoje japoneses, alemães, brasileiros e indianos apoiam-se uns aos outros numa candidatura ao Conselho de Segurança. E são muitos os argumentos a favor, desde os óbvios, como Japão e Alemanha serem a terceira e quarta economias mundiais, o Brasil o gigante latino-americano e a Índia o segundo país mais populoso, até aos menos conhecidos, como em conjunto contribuírem com 20% do orçamento da ONU. Aliás, o Japão só financia menos que os Estados Unidos e a Alemanha vem a seguir. O Brasil está também entre os grandes financiadores e a Índia, se não paga tanto, surge na dianteira de quem fornece capacetes azuis.

Chamados de G4, estes países contam com substanciais apoios para a ambição de ganhar novo estatuto. Aliás, a sua influência nota-se nos lugares não permanentes, com Brasil e Japão a terem sido eleitos cinco vezes nos últimos 30 anos, a Alemanha quatro e a Índia duas. Têm também críticos, rivais que não podendo disputar o lugar se houver alargamento preferem que este seja adiado. É o caso do México e da Argentina em relação ao Brasil, ou o do Paquistão em relação à Índia.

A decisão final de um alargamento do número de membros permanentes caberá ao próprio Conselho de Segurança. O que explica porque não é previsível mudança próxima. Sobretudo, nenhum dos cinco grandes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) abdicará do estatuto privilegiado, o qual acabam por justificar mesmo passadas sete décadas: são todos potências nucleares, integram o top ten das despesas militares e fazem parte das dez nações mais ricas.

Não há solução fácil para descongelar o Conselho de Segurança. Há vozes que argumentam que até a Nigéria deveria ser incluída para representar África. E sobretudo o tema do veto é vital. O seu uso constante tem paralisado ações urgentes, que ficam reféns dos interesses dos cinco grandes. A atriz Angelina Jolie disse-o há dias por causa da Síria, há dois anos a Arábia Saudita recusou o lugar de membro não permanente em protesto contra o imobilismo do órgão. Novos membros permanentes terão direito de veto? Este será retirado aos atuais? Ficará restrito a certos dossiers? É importante debater. O aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial é um bom momento.

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