O arsenal de Trump

Se fosse por si só um orçamento militar, o aumento das despesas de defesa dos Estados Unidos previsto por Trump para 2019 seria o terceiro mais alto, só atrás do americano mesmo e do chinês. Estamos a falar de 90 mil milhões de dólares, pois dos 610 mil milhões ontem revelados no relatório anual do SIPRI o presidente planeia passar para 700 mil milhões, com o intuito de desenvolver uma série de novas armas, desde porta-aviões a sistemas de interceção de mísseis. Um verdadeiro maná para a indústria de defesa, sobretudo a dos Estados Unidos, país que conta com seis das dez maiores companhias do setor, numa lista encabeçada pela Lockheed Martin, fabricante dos F-16 e dos Black Hawk. "Tornar a América grande outra vez" foi o slogan de campanha que levou Trump à Casa Branca e com este investimento o presidente não só agrada ao seu secretário da Defesa, o estimado general Mattis, como envia uma mensagem clara a Pequim e a Moscovo: o poderio militar às ordens de Washington é inequivocamente superior, passando a ser três vezes maior ao da China e dez vezes ao da Rússia. Há dias, em entrevista ao DN, George Friedman afirmava que os Estados Unidos são tão poderosos que podem perder guerras. Ora, o geopolitólogo, que hoje fala na 3.ª Conferência de Lisboa, talvez conclua agora que Trump não admite sequer que a América perca alguma guerra, pequena ou grande.

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Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

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João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

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Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?