Le Pen não será bem-vinda

A anunciada vinda de Le Pen a Portugal, em Janeiro, para participar na campanha de André Ventura, suscita-me as maiores reservas. O mínimo que se poderá dizer é que não será bem-vinda.

Com a sua posição contra a migração, própria de quem defende a xenofobia, Le Pen é uma potencial inimiga dos 600 mil portugueses que labutam em França. Está para os nossos emigrantes, como Ventura está para os ciganos, salvas as devidas proporções. A política de extrema-direita sobressai tanto em Le Pen como em André Ventura - o racismo, a xenofobia e quejandos.

A partir do momento em que o Chega não está ilegalizado, não faria sentido interditar a vinda da fascista francesa. Nada obsta, porém, que se manifeste a repulsa dos democratas por receberem em Portugal quem nos é tão hostil, não só com os emigrantes, mas também com o nosso Governo, que é socialista, e que, felizmente, se situa nos antípodas da ideologia de Le Pen.

Não faz sentido, pelo menos em minha opinião, e em linguagem metafórica, baterem-nos numa face e oferecermos a outra, para voltarmos a ser agredidos. O que Le Pen representa para Portugal é, já de si, uma agressão violenta e há que repudiá-la, claramente. Não podemos ser complacentes nem sequer tolerantes. O fascismo é o oposto da tolerância! Até porque Len esteve, há alguns anos, para vir a Portugal, participar no Web Summit, mas acabou por não vir, porque prevaleceu o bom senso.

As circunstâncias são, agora, diferentes, e há que ter isso em conta. O que me apraz registar é que nem que viessem vinte ou trinta Le Pen, as eleições seriam ganhas por Ventura!

A nossa extrema-direita, com os seus sete por cento, não constitui, por ora, nenhuma ameaça real à democracia portuguesa e situa-se muito aquém de outros partidos europeus fascistas. A começar pelo de Le Pen e a acabar no Vox da vizinha Espanha. André Ventura é o parente pobre da extrema-direita europeia.

Escreve segundo a norma anterior ao Acordo Ortográfico

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