A arte de viajar no tempo

Cientista e superstar? É verdade. Assim foi Stephen Hawking. E só podemos agradecer-lhe a pedagógica disponibilidade com que se assumiu como figura mítica do espaço mediático, partilhando o seu saber. Mais do que isso: através da sua agilidade argumentativa, ajudou-nos a compreender que, mesmo através das mais enredadas especulações, o trabalho científico tem sempre que ver com o homem comum.

Podemos redescobrir algumas das suas performances televisivas no cabo, graças ao canal National Geographic. No próximo domingo, a partir das 16.15, serão exibidos dois episódios de Ciência do Futuro, dedicados aos temas "Designer de humanos" e "Hiperligações"; entre os dois, é recordado um episódio de Genius, centrado numa pergunta que também podia ser (e é) um tema clássico da ficção científica: "Podemos viajar no tempo?". Entretanto, no sábado, o Fox Movies exibe A Teoria de Tudo (2014), o filme realizado por James Marsh, com o oscarizado Eddie Redmayne a interpretar a personagem de Hawking.

Dir-se-ia que assistimos à celebração de um fascinante paradoxo: na quietude a que a sua doença o obrigou, Hawking cultivou a arte de viajar no tempo, desafiando as fronteiras do conhecimento e, nessa medida, alargando o território das potencialidades humanas. O documentarista americano Errol Morris soube retratar tudo isso no filme que dedicou a Hawking, inspirado no seu livro mais conhecido: A Brief History of Time (1991), nunca estreado no mercado português. É uma pequena pérola documental e também uma celebração das alianças entre a arte cinemato-gráfica e o desejo científico de pensar e investigar.

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