Cerveja barata e charro de graça

Bom dia. No meu bairro, o Arco do Cego, acontece de tudo. É como se Lisboa coubesse por inteira naquele pequeno bairro da capital. Até tínhamos uma estação de elétricos, das que se conhecem noutras grandes cidades europeias, com muros de tijolo que não deixavam ver exatamente o que se passava lá dentro e criavam curiosidade em todos os moradores que viviam à volta. Depois, quando os elétricos deixaram de andar pelos trilhos metálicos, aproveitaram o espaço - meia dúzia de campos de futebol - para fazer um terminal rodoviário. Era ver as centenas de autocarros que chegavam de todo o país e ali desembarcavam milhares de passageiros! Para os mais inspirados, a estação do Arco do Cego dava para escrever um romance. O Joaquim que vinha do Porto para um novo emprego, a Fernanda que deixava Santarém, o Zé e a Guida que vinham estudar...

Bem, isto é história. Acharam que havia muitos autocarros a parar por ali e deitou-se abaixo toda uma arquitetura industrial que os franceses pagariam a preço de ouro para ter em algum lugar de Paris. Sobrou um telheiro que é "parque provisório" há uma década e fez-se um jardim sem graça, onde os donos dos cães do bairro vão passear os seus animais, que dizem irá ser um espaço científico para o Técnico. Ora o tempo foi passando e a única coisa que o bairro ganhou foi uma obra de arte com atores humanos. Assim como uma performance dos anos 1980 em tempo real. Em que as centenas de estudantes do Técnico se reúnem logo ao início da tarde a fazer gazeta para conviver, obrigando quem passa a caminhar na rua porque os passeios estão bloqueados. Também é um bom palco para assistir à parvoíce das praxes, mas isso não é o pior. Antes o hábito dos futuros engenheiros a urinar nos tijolos que restam depois de comprarem as jolas em promoção. A única vantagem para os moradores é poupar nos charros. Basta escolher um spot e inspirar.

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