Os polémicos beijos no anel papal

Durante séculos, a tradição mandava beijar o pé do Papa nas audiências privadas com o sumo pontífice. Depois passou a ditar que os fiéis fizessem uma vénia e beijassem o anel da autoridade máxima da Igreja Católica, como demonstração de respeito e obediência. Hoje em dia, é este o cumprimento oficial. Ou melhor, era. Francisco decidiu quebrar o protocolo perpetuado pelos seus antecessores. E os conservadores não perdoaram. Uma polémica com beijos que parece "divertir" o Papa.

O episódio, que rapidamente se tornou viral, aconteceu durante uma visita ao santuário de Loreto, em Itália, no final de março. No vídeo, Francisco é visto a afastar a mão diversas vezes quando os fiéis tentavam beijar-lhe o "anel do pescador" (Anulus Piscatoris, em latim), símbolo do poder do sucessor de São Pedro, que será destruído quando morrer. Falta de respeito? Está Francisco a tentar acabar (uma vez mais) com as tradições da Igreja? Os mais conservadores não demoraram a atacá-lo. "Se não quer ser o vigário de Cristo, saia."

No centro da polémica está o facto de o Papa ter afastado a mão de 19 pessoas. James Reynolds, correspondente da BBC em Roma, diz que pelo menos 113 monges, freiras e paroquianos cumprimentaram Francisco. Houve quem o abraçasse, quem se curvasse, quem simulasse que beijava o anel, quem efetivamente o beijasse. Ao fim de dez minutos, o comportamento do chefe da Igreja Católica mudou. E foram apenas essas imagens que circularam na internet. Reynolds defendeu que Francisco estaria a acelerar o processo, mas surgiu, entretanto, uma teoria oficial: afinal, a culpa é dos germes. "Foi uma questão de simples higiene", explicou aos jornalistas Alessandro Gisotti, porta-voz do Vaticano, garantindo que Francisco se "diverte" com estas polémicas. Diz que o Papa não se importa que beijem o anel, mas apenas em pequenos grupos. Em vésperas de Páscoa, a questão que se coloca é: o que pensará Francisco sobre a tradição de beijar a cruz no compasso pascal?

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