Um manguito em vez de gatinhos

Hoje, Israel faz 70 anos. Que faça muitos mais, com a sua democracia, a igualdade entre mulheres e homens, a sua cultura fundadora de tantas outras culturas, a inteligência dos seus que tanto deu ao mundo - tanto que era quase impossível pensar este mundo sem aquele povo - e pelo magnífico exemplo que esse povo é de resiliência. Ontem, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apelou aos outros países representados em Telavive que seguissem o exemplo dos Estados Unidos e mudassem as embaixadas para Jerusalém. A União Europeia não aceita esse convite, pois reconhecer Jerusalém como capital seria um entrave às negociações de paz tão necessária na região entre Israel e a Palestina. Ontem, ainda, Netanyahu, invocando a vitória israelita, no sábado, no Festival da Eurovisão, avisou que o próximo certame será em Jerusalém. Assim, em 2019, embora sem embaixadas europeias em Jerusalém, cada capital europeia anunciará os seus votos para uma cidade que não reconhece como capital - uma provocação desnecessária numa região conturbada. É necessário, portanto, uma crítica a Toy, a canção vencedora no sábado. Aquela moldura de que a cantora Netta se fez acompanhar - dezenas de maneki-nekos, simpáticos gatinhos dourados a abanar a patinha - é uma fraude. Os maneki-nekos são símbolo de boas-vindas. Se era para dizer o que, afinal, se pretendia - mandar bugiar os vizinhos - mais valia a cantora Netta ter-se feito acompanhar por um símbolo que facilmente ela encontraria no local onde conseguiu a glória: um Zé-Povinho com o seu manguito.

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