Rocket Man e o Trump do rastilho

Num debate do partido chama "Ted mentiroso" a um colega (Cruz). À adversária Clinton chama "Hillary vigarista". Logo, da primeira vez que vai à ONU põe o dono da casa em pânico. António Guterres bem preveniu: "Discursos empolgados podem levar a desentendimentos fatais." E se calhar o português até fez aquele seu peculiar gesto de duas mãos a encher um pneu com bomba de bicicleta: calma, por favor... Qual o quê! O Donald esteve imparável, ontem. Sabem, aqueles rufias que estão debaixo do prédio do suicida? Em vez de apelar por juízo açulam: "Atira-te, ó cobardolas!" Assim fez Trump. Em 1962, com a crise nuclear a 80 km da Florida, John Kennedy chamou ministro dos Negócios Estrangeiros ao Mr. Gromyko e presidente a Khruchtchev - e foi firme, a ponto de ser ouvido pelos soviéticos. Não chamou Monstro do Pântano a um, nem Homem Aranha a outro. Ontem, Trump, depois de anunciar que a Coreia do Norte seria "totalmente destruída", acrescentou: "Rocket Man [o Homem Foguetão] está numa missão suicida para ele próprio e para o seu regime." Tentem seguir o fio ao pensamento. O ponto de partida é aceitável, Kim Jong-un é pírulas e dele tudo se pode esperar. Ainda mais grave do que o suicida que ameaça atirar-se do quinto andar, ele quer levar o prédio e até o bairro com ele. Mas, então, Trump goza e chama-lhe Rocket Man? O que eu quero dizer é seguinte: o gajo do quinto é maluco, mas o instigador do pátio é parvo.

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