Putin interfere na Rússia!

A Rússia exportava pouco, numa tradição que já bebia na mãe URSS. Mas em anos recentes a tendência mudou. Passou a fabricar produtos que exigem alta tecnologia e um inesperado grau de sofisticação no conhecimento dos mercados externos. Falo, claro, da exportação de resultados nas eleições alheias. Desde logo, na mãe de todas as eleições: a Rússia ajudou a pôr Trump na Casa Branca. Os hackers russos foram quase tão importantes quanto os eleitores ianques. Já num precedente referendo ocidental, o brexit, tinha havido dedinho russo. Depois, nas presidenciais francesas, também se tentou a marosca, a que porém escapou Macron. Este chegou a denunciar a matriosca marosca quando, recém-eleito, recebeu Vladimir Putin em visita de Estado. E de então para cá não há referendo catalão ou eleição italiana em que não se acuse Moscovo. É uma evolução: antes, dos russos se dizia que desprezavam as eleições ocidentais, agora, que se interessam demasiado por elas... No domingo, aconteceu que os próprios russos foram a votos e plebiscitaram Putin: recorde de 77% dos votos. Quer dizer, pela Europa e pelos Estados Unidos, depois das urnas, surge quase sempre o não saber o que se fazer, mas, na Rússia, a estabilidade reforça-se! Ora, no domingo, o porta-voz de Putin, Andrei Kondrashov, lançou esta enigmática mensagem: "Obrigado, Grã-Bretanha!" Dias antes do voto, um ex-espião russo bandeado para o Ocidente, Sergei Skripal, foi alvo de um atentado em Inglaterra. Theresa May acusou Putin e expulsou diplomatas russos. Pois esse incidente diplomático, segundo Kondrashov, teria turbinado os resultados de Putin... Donde se pode concluir: os russos estão cada vez mais sofisticados. Depois de interferirem nas eleições dos outros países, interferem nas suas próprias eleições, através do que fazem previamente os seus espiões ou hackers no estrangeiro. O mundo pode estar perigoso, mas está também cada vez mais interessante.

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