Peço desculpas à desculpa de Santos Silva

Ontem, dizia eu em título: "As desculpas de Santos Silva ofendem-me". Não me ofendem nada. Hoje: "Peço desculpas à desculpa de Santos Silva". Peço nada! É a minha maneira de mandar dar banho ao cão. Mando dar banho ao cão às patrulhas do falar, que elas vão ganir para outra freguesia. Por patrulharem e por patrulharem mal. Falar com elas é vir de ideias feitas e embirrar com o sarcasmo, a ironia, o humor - enfim, o gosto de falar -, tudo que faça a língua saltar das certezinhas da tabuada. A minha crónica de ontem era uma homenagem a um político capaz de comparar as reuniões de concertação social a uma feira de gado. Também para mim, as reuniões de concertação social são, ou deviam ser, feiras de gado. E o gado não é para aqui chamado, porque muge ou relincha, incapaz de metáforas ou paradoxos. Já os negociantes do acordo social, do compra e vende medidas sociais, medindo as forças, praticam uma atividade, negócio, eminentemente humana. Sobre isso Santos Silva praticou um belo falar, que repito: "O Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante... Era como uma feira de gado!" Gritou-se pela demissão. Diz-me um leitor: "Não há mais assunto além da frase do Santos Silva?" Pois, de tamanha importância, não, por isso repito. O falar quadrado está à coca de desvios e de metro de alfaiate lá andam as patrulhas. É típico dos patrulheiros: eles parecem todos duros, o instrumento é enrolado.

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