Sabe tão bem ser bom exemplo

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Em setembro, o jornal The New York Times publicou um artigo a que chamei, então, na revista Notícias Magazine, um dos maiores elogios que já li sobre o sucesso de uma política portuguesa. Era sobre como conseguimos travar os malefícios da droga. Ontem, outro grande jornal, o britânico The Guardian, voltava ao tema e com o mesmo elogio: A política radical de Portugal contra a droga funciona. O mundo não a imita porquê? era o título. O texto era também longo porque a história era grave, para ensinar e ser aprendida. No NYT, o título era Como ganhar a guerra às drogas e comparavam-se dois países: Portugal e... os EUA. Portugal é o país da Europa Ocidental com menor taxa de mortalidade devida ao consumo de droga e a americana é 50 vezes superior à nossa! Como a de Inglaterra é também dez vezes maior do que a nossa percebe-se que, ontem, o artigo do Guardian tenha chegado a ser o mais lido no online. O texto americano, do conhecido colunista Nicholas Kristof, estava recheado de dados: por exemplo, os nossos casos de VIH associados ao consumo de drogas passaram de 50% para 5%, entre 2000 e 2015. O do jornal inglês, assinado pela jornalista luso-canadiana Susana Ferreira, é uma reportagem que lembra as nossas décadas de 1980 e 1990, quando a droga habitava as ruas e as famílias - era uma pandemia. Houve um momento de viragem e ambos, NYT e Guardian, estão de acordo sobre a causa: a política de dar a mão a quem está preso no vício vale muito mais do que uma política de repressão.

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