Que se lixe a Grã-Bretanha?!!

Boris Johnson demitiu-se ontem de ministro dos Negócios Estrangeiros britânico. O assunto parecia ser o brexit, pois a demissão seguiu-se à de David Davis, o ministro encarregado das negociações com a União Europeia. Davis, que é por um brexit duro, saiu porque discordava da primeira-ministra Teresa May, aos olhos dele demasiado disposta a negociar com Bruxelas. A saída de Boris Johnson, outro duro, poderia ser também uma rejeição ao brexit negociado e brando... Mas provavelmente a demissão do político pantomineiro ("que se lixem os negócios!", disse Johnson há dias em reunião com empresários) tem que ver com razão mais prosaica: ganhar a liderança do Partido Conservador.

Não é a primeira vez que o brexit - assunto de imprevisíveis consequências para a Europa e, sobretudo, para a Grã-Bretanha - é manipulado por razões de cozinha partidária. Quando, em 2015, o então primeiro-ministro conservador David Cameron desencantou a necessidade do referendo sobre o brexit, foi para que o seu partido de uma vez por todas sacudisse a pressão à sua direita do pequeno partido UKIP (um só deputado nos Comuns), campeão do corte com a UE. Tanto Cameron como a sua ministra Teresa May eram a favor da permanência, mas o seu colega Boris Johnson fez campanha com o líder do UKIP, Nigel Farage, pela saída.

No verão de 2016, o brexit foi votado. Cameron, derrotado, e Farage, vencedor, lavaram as mãos e abandonaram a política, May foi liderar o governo para aplicar uma política que não queria e Boris Johnson entrou nele para mais um passo rumo a ser líder. O brexit nisto foi meramente instrumental. Brexit que, sabia-se do início, era uma confusão (como ontem se viu) e uma incógnita capaz de penhorar décadas.

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