O desbaste Santana-Rio

Nada mais incerto do que o prazo de um governo. Uma solução governamental nunca pode dormir sobre as boas notícias, mesmo sendo elas sobre aquilo que conta para toda a gente, os índices económicos. Um sopro de incêndio estival - ou, pior, outonal - pode abalar todos os otimismos. António Costa sabe disso, ficou outro depois de Pedrógão e a maldita sequela. Então, porquê o vazio de oposição, desde que o PSD perdeu a liderança? Refiro o vazio do PSD, não conto com o arreganho do CDS, que Assunção Cristas (apesar da performance para a Câmara de Lisboa) não corre para primeira nem para segunda, mas tão-só para um maior bocado de menos de metade da direita. Então (quero eu dizer, não havendo nada mais incerto do que o prazo de um governo), tendo Passos Coelho abandonado, porque não houve candidatos a sério a substituí-lo? Santana é refogado e Rio é acanhado. E a campanha mostrou, deste, não mais do que julgávamos e, daquele, ainda pior do que nos lembrávamos (já nos tínhamos esquecido do que ele em eleições era capaz). À direita, a desesperança; à esquerda, o desejo errado na política: "Espero que ganhe, nos outros, o pior..." É que o pior dos outros nunca é garantido ser o adversário mais frágil contra nós - e, no caso de ele nos ganhar, perde o país. Contra este dilema geral, porquê, num partido que se arrisca sempre a ganhar, não houve entre os bons um calejado que agarrasse, enfim, a oportunidade? Ou um novato que a ousasse já? Chateia começar desasado 2018 quando as eleições são só para o ano.

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