A nossa equipa. A que junta a atenção mundial, não com o entusiasmo de outras, na Rússia, mas com a compaixão virada para uma montanha tailandesa. Doze rapazinhos e o treinador, também desse futebol trivial, mas, desta vez, apanhados no jogo pela vida. Não nos interessam as regras deste desporto. Como perceber a prova que é miúdos de pouco mais de 12 anos, a partir de uma gruta perigosa, passarem por covas inundadas que só mergulhadores experimentados conseguem? É um jogo em que não nos interessa nada o desempenho e a habilidade, é um jogo de meta e de golo. Aqui, a vida da nossa equipa é só o resultado que conta..Pessoas aprisionadas por grutas é um medo universal, salvar pessoas das profundezas da Terra sempre nos apaixonou. Pinturas, livros e filmes têm expressado a nossa atenção particular por esse drama. Há um filme antigo, de Billy Wilder, O Grande Carnaval, que fala com cinismo desse gosto popular. Um jornalista venal em fim de carreira (interpretado pelo melhor dos Douglas, Kirk) sabe de um homem desaparecido numa gruta do deserto de Novo México. O jornalista (com "press" na fita do chapéu) arranja-se para que as operações de salvamento se estendam, as notícias se prolonguem e os furos jornalísticos se vendam mais e mais... No fim, ele arrepende-se um bocadinho, mas tarde, e o prisioneiro da gruta morre..Não há hoje, pelos rapazinhos tailandeses, julgamos, outro interesse que não seja a sua salvação. Mas há nisto, na nossa compaixão, um mistério, tão universal é a mágoa e o amor por doze rapazinhos que não sabemos como salvar. Um mistério, porque comparado com a indiferença por outros tantos rapazinhos que saberíamos bem salvar, de forma tão fácil como deixar acostar um bote numa praia mediterrânica. Se calhar o melhor é não insistir nesse mistério e agarrarmos com esperança a compaixão que agora une os homens e as mulheres, todos nós, pela nossa equipa. Essa atenção pelos outros, nos tempos que correm, é um consolo moral.