Jogos chineses da II são ideia de primeira

Esse negócio entre a II Liga de futebol e a Ledman, grande empresa elétrica chinesa, tem sido recebido com algum desdém. Erradamente. Quando dita ("vêm aí charters de chineses") já era uma lâmpada a bruxulear, mas o lado histriónico de Futre deu cabo dela. Agora tem novos proponentes e os indícios prometedores. É bom ser com a liga secundária, o sítio certo para começar uma coisa que deve ir por tentativas. Na primeira divisão, coisa grande de mais, o dinheiro arriscava-se a ser a vedeta da partida. A II Liga passará a chamar-se Ledman Proliga, tal como a Premier League inglesa se chama Barclays. Associa-se a uma indústria moderna e ganhadora, lâmpadas LED, o que é uma vantagem sobre um prestígio tão apagado como o dos bancos. E é um negócio como eles devem ser: conflui o interesse das duas partes. Nós fornecemos o know-how: treinamos jovens e fornecemos a técnica e organização do jogo. O contrato fala de dez jogadores e três treinadores adjuntos - se os 13 vierem conscientes de que vêm para treinar e só serem mais se merecerem, tudo bem... Quanto à Ledman ganha publicidade (pouca) mas uma participação num mundo, o do futebol, que tem tanto futuro como as lâmpadas que ela produz. Nesta história, do que mais gosto é do seu lado cosmopolita, tão do futebol. Os ingleses exportaram-no com os trabalhadores do cabo submarino (foi assim que nos aportou, no Leixões e no Carcavelinhos...) E, agora, lá o ajudamos a viajar para a China.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.