Aos bitaiteiros sobre os jornais

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No sábado passado, no Público, um historiador anunciava o fim do DN, aviso fúnebre ilustrado pela velha primeira página do jornal simpaticamente virada de pernas para o ar. E, ontem, segunda-feira, nesse mesmo Público surgiu uma crise, com o diretor-adjunto demitido pela administração e o diretor demitindo-se.

Como se revelou no domingo, a morte do DN era manifestamente exagerada; e também sobre a crise de ontem no Público, tenho para dizer o seguinte: sei lá! Se bem se lembram, as falsas mortes anunciadas são para os jornais as fazerem (é uma das suas fraquezas): The New York Times "matou" duas vezes o escritor Mark Twain, o que acabou por ser um ato cívico, pois permitiu ao humorista inventar, de uma das vezes, o belo desmentido "as notícias da minha morte foram manifestamente exageradas".

Apesar de jornalista há uns anos e tendo até trabalhado no Público e admirando os dois profissionais envolvidos, não conheço o problema daquele jornal, nem sei de solução. Presumo, presumo só, que o Público viva o mesmo que o DN, radicalmente o mesmo que o britânico The Guardian, que ora abre ou fecha o acesso gratuito às notícias digitais, e o mesmo que o já citado The NYTimes, todos baratas tontas que não sabem como tornar o online viável financeiramente, mas sabem, de ciência, que o futuro é online.

Perante esse dilema, aconselho aos amadores de como fazer jornais a minha atitude para com as maçãs bravo de esmolfe: não cansando a vendedeira da praça com avisos sobre como as tratar contra o bichado e o oídio. Penso na sorte dos construtores de automóveis elétricos que não são obrigados a ouvir saudosos do cheiro tão inebriante do diesel nas estações de serviço. E lembro aos amadores bitaiteiros que mais do que as deles, as opiniões mais contundentes e eficazes são duas: castigando os jornais, não pagando; ou incentivando-os, pagando. E essas, sim, são portadoras de uma esperança.

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