Onde está a ministra grega culpada de tudo?

Ferreira Fernandes

Morreram na praia, não ao chegar do mar mas tentando refugiar-se nele. Tirando esse momento de poesia, que é talvez inadequado, as notícias que nos chegam dos fogos gregos não nos deixam entender a tragédia. São essas notícias isto: houve já dois invernos sem água e ontem a temperatura era tórrida, os ventos furibundos, as chamas rápidas e o mar soprado fazia vagas alterosas. As notícias quantificaram cientificamente essas condições em graus Celsius, em escala de Beaufort e medidores de humidade. E, sim, suspeita-se de que a mudança climática não é uma invenção. Mas, a sério, acham que esses números explicam alguma coisa?

São essas notícias isto: a costa grega está sobrelotada, as escarpas gregas ocupadas por gigantescos hotéis, as estradas gregas afuniladas e as florestas gregas descuidadas. Mas, senhores, vale mesmo a pena voltar a acusar a inexistência de política ambiental e de educação cívica? E apontar o dedo aos poderes impotentes e à ganância? A de agora e a de ontem, de todos e antiga, num país mediterrânico, palavra que sugere há muito não haver nada a fazer...

Ontem, as notícias insistiram, pois, no clima e a sua mudança, na política e a falta dela. Como se isso nos pudesse explicar alguma coisa. Senhores dos jornais, vocês falam para portugueses: gente que não se deixa enganar por generalidades e querem acusações exatas, imediatas e bem apontadas! Digam-nos: como se chama a ministra grega patroa dos fogos, que não sabe falar, quando há câmaras de televisão põem-se à frente dos outros e no verão passado apareceu numa revista de fofocas? Já passou um dia e nem sabemos o nome da ministra grega! Assim, como é que querem que saibamos de quem é a culpa dos fogos nos arredores de Atenas?!