Agora, sobre assuntos bem cá de casa

Ontem, o único debate antes dos resultados finais das primárias do PS francês, entre Benoît Hamon e Manuel Valls, ex-ministros do presidente Hollande. Quando entender o que se passou cá em casa sobre a TSU, talvez eu rebobine o debate francês para saber o que lá se passa, ou talvez não. Entretanto, em Hamon, que teve a maior votação na primeira volta das primárias, preocupa-me o seu relativismo sobre o islamismo. Ah, esse assunto não vou deixar para quando tiver tempo, esse é o assunto do meu tempo. No mês passado, uma reportagem televisiva da cadeia France 3 acompanhou mulheres muçulmanas e não muçulmanas, em Sevran, nos arredores de Paris. Elas entravam nos cafés, só de homens, e estes convidavam-nas a sair: "Não está em Paris, madame, aqui é o 93", dizia o patrão, aludindo a estarem num departamento onde é forte a presença muçulmana. Perguntado sobre isto, Benoît Hamon foi compreensivo: "Historicamente, nos cafés operários [também] não havia mulheres..." É assim que ele pensa: obrigar os franceses muçulmanos aos costumes laicos e democráticos da República, só com pinças. Se não, eles sentem-se hostilizados e ostracizados... Há quem se preocupe, e com razão, que cedências destas atiram muitos franceses para o voto em Marine Le Pen. Mas Benoît Hamon não é mau só por entregar o ouro à bandida. Ele é mau por ser bandido, indigno da coragem das mulheres, muçulmanas e não muçulmanas, que querem ser iguais nas ruas de Sevran.

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Daniel Deusdado

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