E se Trump empurrasse o nosso almirante?

Donald Trump, rasteiro por mais cimeiras que frequente. Mas é importante pôr o homem na sua moldura. Trump tem de ser analisado não só pelo que sempre foi, um carroceiro. Quando num autocarro entre gajos ele falava por onde se agarravam as mulheres. Quando num programa televisivo ele mostrava o gozo que era despedir uma pessoa. Gente dessa cruzamos ao longo da vida mas podemos não a frequentar. Já com o 45.º presidente dos EUA temos mesmo de conviver com ele e percebê-lo no essencial. Ele precisa de ser pensado como só os sábios da análise política, um Henry Kissinger ou um Raymond Aron, o descreveriam. Esses já teriam dito quais os dois momentos baixos, passe a redundância, de Trump. Quando ele disse: "Não só o muro vai ser feito, como, e os mexicanos ainda não sabem, vai ser pago por eles." E quando ele fez: pegou no braço do primeiro-ministro do Montenegro, puxou-o para trás, esticou o pescoço e compôs o casaco. Nos dois casos, a achincalhar assim, acontece no nosso bairro. O interessante (no sentido em que um cancro dos intestinos o é) é que o presidente dos EUA disse e fez aquilo. Seria prudente não se repetir. Por exemplo, se o incidente com o montenegrino fosse com um antigo primeiro-ministro português, o almirante Pinheiro de Azevedo - aquele do "não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia" - os telejornais em todo o mundo abririam com a mesma imagem sonora. No seguinte, perdíamos a base da Lajes?

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