A única religião com Olimpo para todos

Do que mais gosto no futebol é a sua democracia. Quer dizer, o que o marca não é só a universalidade dos seus adeptos, mas a diversidade dos seus melhores praticantes. Se poucos acabam por ser os escolhidos, a nenhum miúdo de 8 anos é retirada a ilusão de um dia, quem sabe... Porque deuses do futebol podem ser gordos sem pescoço, como Maradona, com as pernas tortas de Garrincha ou o único pé de Messi. É raro um desporto em que o corpo não é imposição. Repito, o futebol é democrático. Até um jogador simplesmente razoável, mas não mais, como o nosso querido Eder pode protagonizar não um acontecimento internacional histórico, mas dois. O primeiro está na nossa galeria de ex-miúdos iludidos e adultos, enfim, satisfeitos - o golo que nos fez campeões europeus. Aliás, momento em que Eder foi pessoalmente ele, a caminho da baliza fez três toques desajeitados, até à glória coletiva. Agora, o jornal inglês Mirror (soube-o pelo nosso O Jogo) diz que foi Eder quem iniciou a histórica não ida da Itália a um Mundial, com 60 anos de nunca visto! Em 2015, num jogo particular Itália-Portugal, Eder marcou a nossa vitória (0-1), o que levou as estatísticas da FIFA a rebaixar os italianos do pote 1 para o 2, nos grupos para o apuramento do Mundial. E isso foi fatal, como agora se consumou. Volto à minha: a pesquisa que levou a esta descoberta só foi possível porque (aposto) o jornalista inglês, aos 8 anos, gordinho e caixa-de-óculos, sonhou que talvez ele, um dia... O futebol é grande.

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