A minha reação corporativa a Cristiano

A página direita da contabilidade da minha relação com Cristiano Ronaldo - no "haver" (o que já lhe entreguei) - está quase vazia. Há um ou outro bilhete comprado em jogos, não sei o que preveem os seus contratos mas devem ter-lhe calhado alguns tostões meus. Mas camisola com 7 nas costas nunca comprei. E o tanto que escrevi sobre ele - embora muito mais dizendo bem do que mal, beneficiando-o, pois - não entra nestas contas, é trabalho que foi pago pelos meus jornais. Resumindo, dei-lhe pouco. Já a página da esquerda, a do "deve", a dos registos do que saquei dele, é um longo lençol. Só registei o que ele me deu no exercício profissional do que contratei com ele: os arranques fantásticos, o saltar e ficar suspenso, os golos e os toques soberbos (como o à Madjer, de ontem)... Estão na contabilidade e na minha memória, como está, para lembrar outro negócio, o que senti ao ouvir Elis Regina cantar Atrás da Porta. De Cristiano Ronaldo, com quem nunca falei, tenho momentos desses - de estádio, de solitário sofá ou entre amigos - em que a maravilha que ele me deu é recebida por mim calado e sem gesto, porque quero guardar fundo a dívida. Balanço do "deve" e "haver": devo-lhe infinitamente mais. Mas ontem, depois do episódio do microfone, o pivot da CMTV que estava no estúdio disse: "Foi uma oportunidade única de vermos este comportamento." Pois bem, se a oportunidade deixar de ser única, fico a dever-lhe também uma lição cívica.

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