Um filme urgente

O Capitão foi um projecto que me foi apresentado há cerca de três, quatro anos pelo Frieder Schlaich, um amigo meu, com quem co--produzi o último filme de Werner Schroeter, Esta Noite, e que tem uma pequena produtora em Berlim, a Filmgalerie 451. Quando ele me falou do projecto, falou-me do seu carácter "polémico"; de como não só tocava uma parte do período do final da Segunda Guerra, mas também os próprios alemães e ocorrências que decorriam no interior das suas forças armadas, no fundo algo que os alemães, mais do que esquecer, teriam dificuldade ou reticências em que fosse divulgado. Após isso, quando ele me falou no realizador Robert Schwentke, fiquei logicamente admirado porque sabia que este era conhecido sobretudo por todos os seus blockbusters americanos. Ele tinha feito um filme que eu tinha visto chamado Pânico a Bordo, protagonizado pela Jodie Foster, um filme interessante, mas não sabia que ele tinha interesse em fazer um filme independente na Europa. Eu já tinha tido referências dele, nomeadamente através do John Malkovich, que me tinha falado que tinha trabalhado com ele, e que o tinha achado um realizador extremamente intrigante. Assim sendo, e porque percebi que queriam fazer um filme independente com uma co-produção que envolvesse alguns países europeus, manifestei logo o meu apoio. Para o Robert, este era um projecto extremamente pessoal, na altura já com guião completo, que me mostrou e o qual desde logo me fascinou. Trabalhámos durante três anos à volta desse guião, enquanto o Robert fez o Divergent nos Estados Unidos. Entretanto, víamo-nos de três em três meses aproximadamente, sempre que ele vinha à Europa. Assim, o meu papel foi essencialmente o de ajudar o Frieder - este era um projecto com uma dimensão muito superior àquela a que ele estava habituado. Para nós, era um projecto com um orçamento importante entre os seis e os oito milhões de euros. Mas para aquilo que o Robert estava habituado este era um projecto de extremo baixo orçamento. E, no fundo, foi esta a dicotomia que foi extremamente interessante e nos levou - ao Frieder mais do que a mim - a encontrar soluções para conseguirmos alcançar o desejo do Robert de filmar numa região lúgubre na Polónia, junto à fronteira com a Alemanha, pois correspondia ao espaço que tanto ele como o Frieder desejavam que fosse representado como o campo de batalha no filme. A partir daí, o meu papel foi o de agilizar os financiamentos em França, enquanto ambos tratavam da produção executiva, na qual eu não participei directamente. E assim nasceu este filme, um filme urgente e de extrema importância, que se estreará na Alemanha na mesma altura que em Portugal e em França. E depois disto irá dos Estados Unidos ao Japão, da Coreia à Escandinávia. Agora, como será este recebido? Não sei, não farei um prognóstico. Mas quero deixar claro que me orgulho da minha participação enquanto produtor e tenho a certeza de que terá um impacto muito forte.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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