O que mais precisamos fazer para chamar a sua atenção para a diabetes?

Muito se fala hoje na diabetes. As estatísticas publicadas pelo Observatório Nacional da Diabetes e pela Federação Internacional da Diabetes relatam a ascensão de uma epidemia que atinge cada vez mais pessoas e cada vez mais precocemente.

A diabetes é como um incêndio descontrolado que arrasa este país e o mundo. Em Portugal, os números são alarmantes, pois todos os dias cerca de 200 pessoas ficam a saber que têm diabetes, 22 pessoas com diabetes têm um AVC, 3 a 4 pessoas sofrem uma amputação, 12 pessoas morrem por diabetes, cerca de 500 pessoas com diabetes são internadas e 5 pessoas saem de internamentos motivados por pé diabético.

Todavia, a diabetes é uma doença que continua a ter pouca atenção por parte das próprias pessoas que a têm e a conhecem, dos profissionais de saúde, da comunidade e dos decisores políticos. É uma doença silenciosa e silenciada, pois não tem a mesma atenção e impacto na sociedade que outras doenças como o VIH ou a tuberculose, que, em conjunto, matam cerca de 3 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Só a diabetes mata 5 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo dados da Federação Internacional da Diabetes.

Posto isto, o que mais precisamos fazer para chamar a atenção para a diabetes? Porque é que os números continuam a aumentar? Qual a eficácia das campanhas de sensibilização que todos os anos se lançam em novembro? Sensibilizar só em novembro, como uma nota de calendário, é manifestamente insuficiente. Há mais 11 meses além de novembro e mais 364 dias além do dia 14. Estamos a 2 anos das comemorações dos 100 anos da descoberta da insulina e é uma boa altura para começarmos a dar mais e melhor atenção à diabetes para que esta doença ganhe impacto na sociedade.

Temos de saber defender e exigir tratamentos melhores e mais em conta, mais prevenção da doença e das suas complicações, mais exames periódicos aos olhos, mais educação, maior apoio aos cuidadores, uma vida com mais qualidade e mais longa, menos amputações, menos úlceras do pé, menos enfartes em adultos jovens, menos insuficiência renal...menos internamentos de crianças e jovens, que poderiam ser tratados em casa. Estes são alguns dos muitos desafios que se colocam hoje na luta contra a diabetes. A APDP não deixará de propor e procurar soluções. Podem contar connosco!

Presidente da APDP - Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

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