Notas de uma cidade afetada

A cidade muda na semana dos Óscares. A rua Hollywood, nas imediações do Dolby Theater, onde decorre hoje a cerimónia, ganha um transe notório. Para além do circo, da afluência dos turistas e da histeria de produção (centenas de pessoas, seguranças por todo o lado, assistentes de assistentes), sente-se realmente uma emoção diferente. O Super Bowl do cinema entranha-se em todos. Há quem fique nervoso por DiCaprio e há quem leve a sério um estado de espírito que está para além da mera festa.

Mais longe do passeio da fama, em Sunset Blvd, à noite, é fácil perceber a vibração do evento. No Chateau Marmont, hotel mítico da própria iconografia do cinema americano (e onde Sofia Coppola inventou Somewhere - Algures, em 2010) todos os serões há fila de fãs à porta para ver as festas pré-Óscares que a Vanity Fair organiza. Um pouco por todo o lado, há o chamado Oscar glitz. Entramos num táxi e a conversa gira em torno dos Óscares. Tudo vai dar aos Óscares, é uma cidade sob efeito... Mesmo quando nesta noite há também um muito publicitado concerto dos Megadeath.

Para ajudar à festa, a imprensa americana é consensual: estes são os Óscares com a corrida a melhor filme mais equilibrada dos últimos anos. Diz-se que The Revenant ainda não pode encomendar as faixas de vencedor, O Caso Spotlight e A Queda de Wall Street são também favoritos. Se isto não é um ato de boa-fé para que a cerimónia não seja uma sucessiva cadência de acontecimentos previsíveis... só Deus sabe. Certo é que as casas de apostas estão realmente divididas com os três filmes e há ainda o caso de melhor realizador, com a Goldderby a dar algumas hipóteses a George Miller, de Mad Max - Estrada da Fúria.

Curioso é a questão da falta da diversidade racial dos nomeados estar a ficar cada vez mais esquecida...

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