Mobilidade: políticas e cidadania

As discussões sobre a Mobilidade estão na ordem do dia. Da economia de partilha, às plataformas e setores tradicionais, alternativas sustentáveis, e soluções combinadas multiplataforma, passando por estratégias locais, metropolitanas e nacionais.

Há, no entanto, uma escola de pensamento que continua a olhar para este tema, e para o posicionamento dos cidadãos, e entende que o caminho é só um: proibir e impor. A nossa discordância não podia ser maior.

Nesta área, como em todas as outras em que intervimos diariamente, consideramos que as soluções têm de incluir as pessoas, ter em linha de conta a miríade de realidades que representam e tentar encontrar a melhor solução comum.

Ou seja, procuramos, sempre, soluções reais para pessoas reais. Não nos bastam estudos, análises, curvas de crescimento - exigimos uma descida da planificação à realidade concreta e tangível da vida dos cidadãos e exigimos soluções integradas, visões globais e complementares.

De que nos serve ter excelentes linhas de transportes públicos se a segurança dos passageiros não é garantida? Ou quando a segurança à volta do transporte (acesso, caminhos, estacionamentos) é crítica a todas as horas ou em horas determinadas?

De que vale termos Concelhos com excelentes políticas de Mobilidade se os restantes, à volta, nem sequer se dão ao trabalho de copiar e adaptar as mesmas medidas?

Lamentamos profundamente que haja municípios mais preocupados em tornar as suas cidades intransitáveis, do que em encontrar soluções integradas com outros municípios ou criar estruturas que entreguem, antes das proibições e da caça ao carro privado, soluções para os cidadãos.

E o que se sabe sobre esses cidadãos e sobre as suas motivações? Com quantos já falaram? Conseguem percebê-los? Ou insistem na azáfama dos grandes números em abstrato que, apenas, permitem e criam condições para soluções também abstratas?

No entanto, os cidadãos não podem ser isentados de responsabilidades na degradação da mobilidade dentro das cidades: estacionamento selvático, obstruindo passeios, passadeiras e passagens, em segunda fila, bloqueando carros e peões. Circulação abusiva de bicicletas pelos passeios, pondo em perigo a integridade dos pedestres e acrescentando caos ao caos. E, agora, a largada indiscriminada de veículos elétricos - bicicletas e trotinetas - acrescentando ainda mais caos.

Temos muito que exigir, mas também temos muito que aprender.

Rita Rodrigues, responsável de Relações Institucionais da DECO PROTESTE

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG