Mentiras da Trovoada eleitoral: crónica de uma morte anunciada

São Tomé: na última semana assisti a situações absolutamente inaceitáveis por parte de um líder do partido ADI_tadura que vão ter que resultar numa morte (política) anunciada. O Povo, pobre, sem condições de saúde e ameaçado cada vez mais com a intimidação de militares espalhados pelo País e ninjas que espancam até a morte civis, à boa maneira Gabonesa, aliás que o Patrice adotou e que, na verdade, é o seu país de coração, está farto do primeiro-ministro cessante.

A comunidade internacional - silenciosamente - refere-se a ele como um homem falso. Angola não o respeita. Portugal olha para ele com grande desconfiança, até porque as perseguições tanto ao embaixador como ao delegado da RTP e jornalistas desta estação pública, são perseguidos pelo seu ministro ex padre e pouco cristão e que alegadamente, já agrediu uma assessora. Soubemos que o mesmo ministro, enormemente preocupado com a informatização e era digital, nem carteiras com dignidade dá aos alunos que se atropelam no ensino secundário, aos molhos, acumulando-se em 8 à volta de uma carteira (destinada a dois). Inaugura um barco velho (dizem eles de mais de 100 mil euros) numa carcaça de fibra usada, para transportar alunos do ilhéu das rolas para a costa de São Tomé - para a escola em Porto Alegre. Dá vontade de rir. Só para quem não conhece as águas deste Equador: as crianças obviamente vão correr risco de vida. Mas vale a propaganda e a censura, à moda de Hitler.

O atual Anaconda, anacondinha, como lhe chama a cantora santomense Sebastiana, tem estado a brincar com o povo. Faz tempos de antena incessantes, abusando da televisão pública, abusando da rádio nacional, publicita álcool na mesma TVS, quando chama ao povo bêbedo, e ainda acredita que o povo votou nele.

Como não aceita os resultados, entrou num jogo de mentira que se atropela de pseudofacto em pseudofacto, em que, num processo patológico de mitomania, ou de mentira compulsiva, apenas ele acredita. Ninguém acredita nele. Uma coisa é a diplomacia, outra são os corredores da verdade de grandes líderes que se respeitam, apesar de serem adversários.

Nunca aconteceu uma situação idêntica. A democracia, sentindo-se ameaçada, saiu à rua. Manifestou-se numa mobilização inédita de populares, jovens estudantes, políticos de todos os partidos. E Patrice apelidou-os de delinquentes e menores. Assisti e sei que é mentira. Não havia crianças. Havia sim! Mães revoltadas com os seus bebés às costas. E se não fosse um apelo especial junto dos observadores internacionais da CPLP liderados pelo ex ministro dos negócios estrangeiros timorense, Zacarias da Costa, um verdadeiro senhor, a deslocar-se com todos os outros ao local, teríamos testemunhado uma sangria. Os ninjas tinham ordem de abate. Aliás, fui - ao lado de outros cidadãos - vítima de ataque pelo ninja PDE - Polícia de Defesa do Estado (tipo PIDE) de gaz lacrimogéneo.

No dia 4 de Outubro mataram um rapaz de 35 anos. Alegando porte ilegal de arma. Já detido, 3 polícias de segurança pública, e um PDE, agrediram - repito, já detido e imobilizado - o jovem homem até à morte. Um deles pedia, ao PDE (relato de locais que assistiram) que parasse porque o rapaz já estava inconsciente. Foi arrastado pelos pés, com as costas no alcatrão e cabeça. Foi depois transportado sem vida para o centro de saúde de Mé Zochi, na cidade de Trindade. Depois para o Hospital Ayres de Menezes e sem que a família tivesse acesso ao corpo, foi enterrado depois das 18:00, facto proibido por lei e sem qualquer missa de corpo presente ou ausente. E os populares afluíram à esquadra e centro de saúde numa revolução sem igual.

A TVS estação pública de TV montada e financiada pelo ex ministro Marques Mendes, e decrépita sem rececionista sequer! minimamente formada, apenas deu uma notícia com imagens restritas dos guardas. Zero imagens reais. Viva a censura e viva a PDE. O povo põe, o povo tira. Como referiu o atual Presidente da República Evaristo Carvalho "o Povo põe, o povo tira" numa mensagem de Estado dirigida aos santomenses antes do processo eleitoral começar.

O inferno da ditadura islâmica, o país não é de tradição islâmica. Não vive de militares. Não havia criminalidade registada com incidência grave. Sempre houve pobreza e a família mais rica de São Tomé e Príncipe é a Trovoada. Que aliás - co-apoiou - Tó Zé Cassandra num acordo secreto, para destronar o PSD partido social democrata do MLSTP, que lutou pela independência e liberdade deste povo. Desde os anos 90 qu este país africano tem sido um exemplo de democracia estável com diferentes governos de afrogeringonça em que o povo é considerado, pese embora os habitais e lamentáveis desvios de fundos das ajudas internacionais para o país, um exemplo ímpar da democracia. Nasceram pobres e hoje têm casas dentro e fora do país. Viva as medidas de João Lourenço em Angola.

O Povo põe, o povo tira. Vai embora Patrice, gritavam os manifestantes. Não gostamos de você. Você não presta. Eram as frases de ordem no dia da manifestação que culminou com um campo de batalha e destruição do carro de uma juíza da ADI, de 1ª instância, sem competência, Natacha Amado Vaz, e que é irmã de Ilza Amado Vaz, ministra da justiça e que é da lista de Água Grande, o principal distrito que ditou a derrota da ADI_tadura e que a Lei das incompatibilidades dos magistrados obrigada o não envolvimento. Afinal quem desrespeitou a lei foi a própria jovem juíza.

O povo quer que ele saia. Nunca houve tão grande afluência às urnas. Votaram mais de 91mil santomenses num conjunto total de eleitores de menos de 98mil. Leia-se que nunca houve uma tão baixa taxa de abstenção em S. Tomé e Príncipe..

O Povo põe, o povo tira e o povo santomense clama por Bom Jesus, para o 17º Governo constitucional. As palaês diziam-me: Ê samá non bebedadú! Bebedadú só bi naí votá. Non mê cê ki sum pinta kabla bê dê. Ê ná ça gê téla. Ê ná ça gê non. (tradução: ele chamou-nos Bêbedos! Os bêbedos vieram aqui votar. Nós queremos que o senhor Pinta cabra se vá embora. Ele não é desta terra. Ele não é nossa gente".

Esta mensagem é clara: o primeiro ministro cessante usou o país, usou o povo, colocou amigos no poder - já tinha negociado os acordos de exploração de petróleo como mensageiro do pai - e não quer entregar o poder como se o país fosse o seu feudo.

Não faz sentido ele achar que o povo que manifesta na rua contra ele, com frases de ordem que são reiteradas pelo chefe de Estado, como o Povo põe, o povo tira, teime em manipular resultados, desrespeitando o artigo 148º da Lei eleitoral. Em todas as mesas de círculos eleitorais, as atas foram validadas, sem irregularidades - isso mesmo disse Zacarias da Costa, Chefe da MOE - Missão de Observadores ao processo eleitoral.

Chegadas as urnas às distritais da CEN, em especial de Agua Grande - onde a afluência foi gigante e nunca vista, começaram as manipulações e registos de fraude apontados pela oposição. Todos os partidos grandes e pequenos se aliaram contra a ADI. Claro que lá apareceu o senhor a dizer que todos os lideres (repito: todos!!!!) tinham cometido fraude. O que é que está errado aqui?

Tem um juiz que castigou e demitiu e que foi seu Ministro da justiça, Roberto Raposo, como Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, tendo exonerado - sem reforma - todos os juízos eleitos democraticamente. Tem a Ministra da justiça no círculo de Agua Grande e arrola a sua irmã sem maturidade e credibilidade jurídica, coordenadora de validação de resultados. Todos os Presidentes de partidos, à exceção do Líder do MLSTP, acorreram à distrital da CEN - AG (Comissão Eleitoral Nacional de Água Grande), mas o líder sem credibilidade ataca apenas Bom Jesus com um nível de educação intocável, aliás, como qualquer dos outros que têm feito uma campanha pobre em meios e muita censura.

Condenam-se atos de vandalismo pelos manifestantes ou quaisquer tipos de ameaças, mas o desespero é total. O Povo põe, o povo tira. O povo não quer o Patrice.

As tristes decisões na noite eleitoral, depois do fecho de urnas: afluência histórica às urnas em todos os 7 distritos de São Tomé e Príncipe. Encerramento pelas 20h00. Um lento, muito lento processo de contagem que foi antecedido por um apagão de energia ou luz elétrica, (mal acabou o processo de votação). Apagão da televisão pública. Emissão de triste e decrépito mecanismo de contagem de votos por distritos (com menos círculos de eleitores) conduzido pelo diretor da rádio, também militante da ADI. Finalmente a TVS às 22:00. Acordou para - pasme-se! - fazer a emissão de um documentário de turismo, ainda por cima feito por produtores terceiros. A cidade de São Tomé acordou em pausa no dia 8. Os santomenses não quiseram sair à rua na habitual movimentação da rotina diária. Um estranho silêncio em que nem os cães circulavam. Viaturas saem dos circuitos de estradas. Vivia-se um estranho e tenso silêncio. Algo diferente e estranho se adivinhava. Seguiu-se a violenta manifestação. Defendo e defenderei a democracia. A liberdade de expressão e quis ver de perto - e a pé - a força de um povo triste, miserável e muito descontente. Velhos, novos, crianças às costas. Palaês, todo o tipo de palaês, "bebedadus", motoqueiros, hiaceiros, vendedores ambulantes, desempregados, alunos. Todos saíram à Rua numa manifestação de defesa da democracia e liberdade. Na cabeça seguia Jorge Bom Jesus.

Todos perceberam o risco que se avizinha numa DITADURA forjada em demo_cracia. Qualquer ditador (zinho) precisa de um povo e de um território. Consoante o seu caráter usa os pobres - que por acaso são cidadãos da terra que governa, mas que não é a sua - para pedir ajuda internacional que não se vê entrar. Não se compreende como e porquê um acordo com algum escravo de Erdogan, o famoso (pelas piores razões!) líder muçulmano da Turquia - como este líder da ADI - deu um apoio criando uma "fundação" Turkiye Maarif Vakfi, instalada em terra infértil do islamismo. Uma fundação com jardim infantil para aumentar a rede islâmica como se esta terra fosse tradicionalmente muçulmana e não profundamente cristã e católica como é. Dia 8, foi o primeiro dia do resto da tua vida. Curiosidades: 2 ministras (ainda em exercício de funções) - uma acompanhada do seu "homem" como se diz aqui em São Tomé e a outra, sabe-se lá como, a entregarem pacotes de 5 mil dobras (200€) a militantes do MLSTP-PSD (há testemunhas). Pessoas pobres e sem como comprar alimentos, não têm como, senão receber o dinheiro. Chama-se a este fenómeno: Banho. Não sei se será banho turco. Ou banho de imersão.

Num longo artigo de opinião ao jornal digital Téla Non (foram apontadas possibilidades de risco de fraude pelo partido ADI, que acha que o poder é além do além (representa a morte para os católicos). E que são: 1.Troca de boletins de voto, Leitura (fingida) do nome do eleitor na lista informando o eleitor que ele tem que ir a outra mesa; 2. Quando a pessoa eleitor se desloca volta a ser informado do mesmo. Pretendem que a pessoa - convicta - desista; 3. Colocação das boxes ou separador de votação longe da mesa de modo a não se controlar, 4. Impedimento de saída até menos de 500 metros de modo a substituir pessoas da mesa ou 5. Alteração de boletins de voto nulos passando a úteis , a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) tem um presidente que não representa a maturidade na cena nacional e nenhuma na cena internacional. Todos já perceberam o que está em jogo: matar ou morrer com o poder e garantir a democracia. A arma do Povo é o voto. Nos termos da CRSTP. O líder cessante do governo não aceita. Quer continuar num reino que o rejeitou e continua a mentir. Os lideres de diferentes organizações recebem ordens e as leis não são respeitadas. Todos sabemos que é ele quem ordena. Fonte próxima da Presidência da República de STP garante que Patrice já ameaçou o Chefe de Estado. Por isso queria ter as forças armadas do seu lado, para instalar uma ditadura com base militar.

Falta de Credibilidade e de educação do líder da ADI. Presta declarações aos meios santomenses nunca vistos pela comunidade internacional, mas presta outras - com um ar angelical, vestindo a pele de cordeiro em corpo de diabo - aos meios de comunicação internacionais. Aqui, nesta África, minha, nossa, e não dele, os santomenses estão fartos deste líder. Mesmo os que não sabem que falo a língua da terra, praguejam tudo e mais alguma coisa.

MOE - Missão de Observação da CPLP às eleições: numa curta declaração, Zacarias da Costa mencionou fatores chave: 8 equipas, distribuindo-se com duas em Água Grande e outras duas em Mé Zochi. Uma em Lobata, uma em Cantagalo, uma em Lembá e uma em Caué. Diplomacia. Pura. Sabemos que muitas pessoas foram expurgadas das listas, pese embora se tenham recenseado.

As mentiras têm limite. Não somos todos medrosos nem manipuláveis. Zacarias da Costa referiu, durante o seu comunicado, que concentrou a sua observação no dia da votação, acompanhando a abertura e o encerramento das urnas. Infelizmente, vamos lá saber porquê, não a verificação nas Distritais da CEN. Mas assistiram à contagem nas Mesas das assembleias de voto. E não verificaram qualquer irregularidade.

Um pedido, com diplomacia apelo à comunidade internacional: CPLP, Portugal. Angola. Protejam este povo. Criem uma delegação para acompanhar este processo. Assim que saírem os observadores a sangria começará. São Tomé e Príncipe tem uma história de democracia exemplar. Não é o Gabão. Nem o Mali e menos ainda a República Centro Africana. Como referiu o atual Presidente da República Evaristo Carvalho: "o Povo põe, o povo tira".

Diretora do N"Dependenxa e Profª convidada em Comunicação em Saúde, I Medicina Preventiva e Saúde Pública, Faculdade Medicina ULisboa

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