Dói-dói no mindinho

"Difícil encontrar forças para querer voltar a jogar futebol." Quem terá dito isto? Um sobrevivente do trágico acidente da Chapecoense? Uma das crianças salvas da gruta na Tailândia? Não. Neymar, depois de o Brasil ter sido eliminado do Mundial. Dramático, não é? Não espanta, vindo de quem "homenageou" Stephen Hawking, aquando da sua morte, partilhando uma foto sentado numa cadeira de rodas, com a frase "você tem de ter uma atitude positiva e tirar o melhor da situação na qual se encontra". Neymar tinha magoado o dedo do pé, o que, como toda a gente sabe, é mais doloroso do que ter esclerose lateral amiotrófica. Só quem nunca deu uma topada, descalço, num móvel, pode negá-lo. O que tem faltado a Neymar? Talvez um Didier Deschamps que lhe diga, como disse a Mbappé, "para de fazer merda!". Um conselho tão genérico quanto útil. Se António Oliveira o tivesse dado a João Pinto, se calhar não tinha havido murro no árbitro e Portugal ganhava aquele Mundial, não precisando de ainda andar a tentar, 16 anos depois. Sim, que estas coisas são para fazer uma vez na vida. É como escalar o Evereste. Uma pessoa consegue, sente-se feliz, espeta a bandeira no topo e está feito. Não vai repetir no ano seguinte. A não ser que estejamos a falar do João Garcia, claro. Um homem a sério: mesmo que caia o nariz, prossegue, não é nenhum Neymar.

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João Almeida Moreira

DN+ Cadê o Dr. Bumbum?

Por misturar na peça Amphitruo deuses, e os seus dramas divinos, e escravos, e as suas terrenas preocupações, o dramaturgo Titus Plautus usou pela primeira vez na história, uns 200 anos antes de Cristo, a expressão "tragicomédia". O Brasil quotidiano é um exemplo vivo do género iniciado por Plautus por juntar o sagrado, a ténue linha entre a vida e a morte, à farsa, na forma das suas personagens reais e fantásticas ao mesmo tempo. Eis um exemplo.