Dói-dói no mindinho

"Difícil encontrar forças para querer voltar a jogar futebol." Quem terá dito isto? Um sobrevivente do trágico acidente da Chapecoense? Uma das crianças salvas da gruta na Tailândia? Não. Neymar, depois de o Brasil ter sido eliminado do Mundial. Dramático, não é? Não espanta, vindo de quem "homenageou" Stephen Hawking, aquando da sua morte, partilhando uma foto sentado numa cadeira de rodas, com a frase "você tem de ter uma atitude positiva e tirar o melhor da situação na qual se encontra". Neymar tinha magoado o dedo do pé, o que, como toda a gente sabe, é mais doloroso do que ter esclerose lateral amiotrófica. Só quem nunca deu uma topada, descalço, num móvel, pode negá-lo. O que tem faltado a Neymar? Talvez um Didier Deschamps que lhe diga, como disse a Mbappé, "para de fazer merda!". Um conselho tão genérico quanto útil. Se António Oliveira o tivesse dado a João Pinto, se calhar não tinha havido murro no árbitro e Portugal ganhava aquele Mundial, não precisando de ainda andar a tentar, 16 anos depois. Sim, que estas coisas são para fazer uma vez na vida. É como escalar o Evereste. Uma pessoa consegue, sente-se feliz, espeta a bandeira no topo e está feito. Não vai repetir no ano seguinte. A não ser que estejamos a falar do João Garcia, claro. Um homem a sério: mesmo que caia o nariz, prossegue, não é nenhum Neymar.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.