A Batalha de Ourique e valorização do Interior

O território é o palco das vivências das comunidades, das suas memórias, do quotidiano e da construção do futuro.

A Batalha de Ourique de 25 de julho de 1139 é um marco na afirmação de Portugal como Nação e na projeção da Portugalidade, do Ser Português. Na História de Portugal, não é exagerado afirmar que há um antes e um depois da Batalha de Ourique, tal como aconteceu com a Batalha de São Mamede.

Ourique orgulha-se de estar inscrito nessa página da História de Portugal que reconfirmou a ambição de sermos Nação, com uma população, regras próprias e um território.

Invocar o impulso de D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique nos seus 880 anos, é não apenas relembrar a bravura do seu exército perante a desproporção das tropas em presença, mas também a importância do território para a afirmação da identidade e da soberania.

Não foi para ter territórios sem adequada atenção que diversos protagonistas da nossa história se bateram para consolidar as fronteiras, reforçando o posicionamento de Portugal no contexto das nações como uma das mais estáveis e consolidadas realidades.

Honrar a memória de D. Afonso Henriques e da Batalha de Ourique significa bater-nos por uma efetiva valorização dos territórios do Interior, com existência de um conjunto de serviços públicos essenciais que reafirmem o compromisso do Estado com as populações e aqueles pedaços de Portugal.

O Estado central tem de estabilizar um conjunto de serviços públicos fundamentais para a vida das pessoas, para a atração territorial e para a fixação de população, que devem ser prestados, sem distorções. Quase nove séculos depois, não pode haver territórios em que a perceção de abandono se instale, depois de tanto labor na conquista desses espaços e da sua relevância para a afirmação da nação e da identidade nacional.

Não pode haver intermitências na afirmação da Portugalidade, em território nacional e no exterior. Apesar da modernidade e da voragem do tempo, que andariam mais próximos de máximos na afirmação das disponibilidades para as pessoas e para os territórios, sendo os recursos finitos, importa assegurar mínimos de acesso e de acessibilidade em todo o território nacional para depois partirmos para novas conquistas. Sim, é possível haver futuro no Interior como o comprovam as dinâmicas geradas pelo Alqueva ou a afirmação da fileira do porco alentejano como marca de identidade do território de Ourique.

No território, tal como no tempo da Batalha de Ourique, há resiliência e bravura, assim o Estado central, o Poder Local e as Comunidades consigam concertar respostas para honrar a conquista do território e o que ela significou para Portugal e para a firmação da Portugalidade. Partir de uma base de menos para o mais sempre foi uma boa estratégia militar e de desenvolvimento. Honre-se os 880 anos da Batalha de Ourique.

Presidente da Câmara Municipal de Ourique

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