A anca de Umtiti

10 de Julho. Um grande jogo de futebol, em que um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes tenta contrariar o poderio francês. Emoção, suspense, explosão de felicidade. Isto em 2016, claro. Em 2018 foi mais chato, nem as traças apareceram. Já no mercado animação não faltou. Bruno Fernandes foi apresentado como grande novidade do SCP (fazendo lembrar aqueles casais que se divorciam e depois casam outra vez, chateando todos os convidados que têm de dar nova prenda), o Real fez uma atençãozinha nos 1000 milhões da cláusula de CR7 e Podence percebeu que na Grécia há presidentes que entram armados em campo. Por um lado deve ter ficado arrependido, por outro, aliviado por Bruno de Carvalho não ter licença de porte de arma. Voltando ao jogo, estava a torcer pela Bélgica, claro. Como estaria por qualquer equipa que defrontasse os bleus. Bom, talvez um França-Benfica me deixasse dividida. Embirro com os gauleses, admito. E acredito que quem não embirrava, passou a fazê-lo depois de ver a comemoração de golo do Umtiti. Que foi aquilo? Parecia ter uma luxação da anca. Devia dar anulação do golo, depois do VAR analisar a dança. Com tanto virtuoso em campo foi preciso um central para resolver. Tal como aconteceu no 1º particular do Benfica, com bis de Jardel. Por acaso não vi mas estava a torcer pelo Napredak, claro. Sou desses desde pequenina.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.