Eric Prince, um Mercenário da Líbia a Moçambique

Eric Prince trata-se de um ex-Navy Seal americano, fundador da famigerada Blackwater em 1997, aquela Empresa Privada de Segurança que saiu pela "porta pequena" do Iraque (acusada de matar 17 civis em Bagdade), pelo qual reciclou o nome para Xe Services em 2009 e Academi em 2011.

Prince não tirou Moçambique da bancarrota, mas ajudou a FRELIMO/Governo a mitigar o escândalo das "Dívidas Ocultas", ao comprar 49% da Tunamar, através do Frontier Services Group. Os restantes 51% pertencem à EMATUM (Empresa Moçambicana de Atum) criada pelo Governo moçambicano em 2013 para potenciar a exploração da pesca do atum. O que ficou conhecido por "Dívidas Ocultas", resulta de um empréstimo contraído pelo Governo moçambicano ao Crédit Suisse, no valor de 850 milhões de dólares americanos para a compra de 24 embarcações. De forma resumida, a EMATUM juntamente com a PROINDICUS e a MAM, também empresas públicas no mesmo ramo de actividades pesqueiras demonstraram serem inviáveis e improdutivas (a maioria dos 24 atuneiros nunca viu o mar), acumulando uma Dívida Pública contabilizada até 2017, por baixo, em 2 Mil Milhões de dólares (só a EMATUM). Dívida essa ocultada pelo Governo de Moçambique, o que fez "abanar" as Finanças do país, tendo também como onda de choque colocado o FMI e os doadores internacionais em guarda, cancelando doações, projectos e exigindo uma Auditoria criteriosa às empresas em questão.

As empresas na órbita de Eric Prince, certamente que investiram no parceiro moçambicano com olho no "Pacote Cabo Delgado", que inclui hidrocarbonetos e terroristas, sendo que as embarcações facilitariam a monitorização no mar, enquanto escolhiam/decidiam onde pescar, colocando assim a FRELIMO/Governo em dívida para com este "benemérito". O "bolo" do gás e do petróleo não é para quem quer, é para quem o pode pagar!

É nessa perspectiva que um recente rumor (não terá mais de duas semanas), que surgiu na Comunidade de Defesa & Segurança, começa a ganhar forma para passar ao patamar da realidade. Ou seja, há informações de que 6 helicópteros (3 SA341 Gazelle e 3 SuperPuma AS332), poderiam muito bem estarem a ser transferidos do "teatro de operações" da Líbia para Cabo Delgado, operados pela Lankaster 6, outra "empresa militar" próxima da "constelação" de empresas do referido Eric Prince. Diz-se também que estes aparelhos não convenceram o Marechal Khalifa Haftar, cujo propósito era serem utilizados a partir de Benghazi, para atacarem navios turcos no Mediterrâneo, ao serviço do GNA, o Governo de Acordo Nacional, entidade reconhecida pelas Nações Unidas e restante Comunidade Internacional.

Politólogo/Arabista

www.maghreb-machrek.pt

O Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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