30 anos Prémio Pessoa

Chamámos-lhe Pessoa e não Fernando Pessoa porque não quisemos criar mais um galardão literário ou de letras e artes. Mas incluímos a palavra Pessoa, com maiúscula, porque o grande Fernando Pessoa nunca foi premiado em vida.

No regulamento ficou bem claro que "o Prémio Pessoa será concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país".

Trinta anos depois, julgo não exagerar se afirmar que o Pessoa é o mais relevante prémio atribuído anualmente em Portugal. Atestam-no, por exemplo, o espaço e tempo que lhe são concedidos pelos órgãos de comunicação social. E também o facto de, mesmo quando lhes são pedidos curricula de cinco linhas, os premiados quase nunca esquecerem que foram galardoados.

Para lá da força da marca Expresso, o êxito, mais do que isso, o peso, a relevância do Prémio Pessoa deve-se a vários fatores. Em primeiro lugar, a composição, a indiscutível autoridade do conjunto de pessoas que integram o júri, ao qual tenho a honra de presidir.

O júri, além de composto, desde sempre, por personalidades de grande envergadura em diversas áreas, funciona com plena liberdade e segundo um método de aproximações sucessivas que se tem revelado útil para chegar à votação final e à descoberta ou revelação de pessoas que, no início da reunião, não figuravam na lista dos prováveis vencedores.

Não é um método fácil, obriga a muitas horas de reunião e de discussões, por vezes acaloradas, mas sempre amistosas, e por vezes divertidas. É, no entanto, proveitoso porque nos permite obter e dar informação e deliberar com conhecimento de causa. Quando necessário, interrompemos a reunião para consultar obras de eventuais premiados - livros, artigos, vídeos, discos.

Para compreender a importância do Prémio Pessoa, há um outro ponto que vale a pena salientar: embora isso não conste do regulamento, foi sendo dado como assente e aceite, ao longo dos anos, que o Pessoa não é nem um prémio de revelação nem um prémio de consagração. Terá havido exceções, mas a regra, não escrita, tem sido a de premiar pessoas com obra feita e reconhecida, mas de quem legitimamente se espera, se exige, que continue, que faça mais, que não pare.

Nesse plano, fundamental para o Pessoa se impor na sociedade portuguesa, o balanço é francamente positivo. Terá havido casos em que o premiado já era efetivamente conhecido, mas houve outros, que serão a maioria, em que não o era tanto como, segundo o júri, deveria ser.

Presidente do júri do Prémio Pessoa

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