2020 – O ano Beethoven: o que nos diz Beethoven nos dias de hoje?

Até mesmo 250 anos após o seu nascimento em Bona, à beira do rio Reno, a música de Ludwig van Beethoven emociona, inspira e une as pessoas em todo o mundo.

O visionário Beethoven (1770-1827) é atualmente considerado o compositor clássico mais ouvido e um dos embaixadores mais importantes da cultura europeia. Ele criou mundos musicais que desafiavam os limites da imaginação da época e definiam novos padrões. Beethoven, humanista e cidadão do mundo, génio musical e amante da natureza, é omnipresente, tanto na publicidade como no cinema, no desporto e na política porque permanece atual. Devido à importância universal do Hino à Alegria da 9.ª Sinfonia de Beethoven, a UE escolheu este tema como seu hino.

Para a época, Beethoven era um homem moderno. A sua música reflete uma sociedade europeia em movimento, e os seus valores morais emanaram do espírito do iluminismo. Ele simpatizava abertamente com os ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. As obras musicais de Beethoven expressam um desejo irreprimível de mudança social, expressam o mais alto nível de humanidade, um compromisso com a liberdade de expressão artística e com as utopias sociais. Questões relativas ao entendimento entre povos também eram de grande importância para Beethoven. Numa carta datada de 1795 a um amigo de infância, Beet­hoven ansiava por um tempo "em que existam apenas pessoas" e o homem seja tratado conforme a sua dignidade enquanto ser humano. Ele seguia de perto as convulsões políticas e sociais do seu tempo, algo que se reflete bem na sua conceção artística. Oriundo de uma família de músicos de corte, também ele ambicionava, inicialmente, um cargo de corte. Mas optou por viver em Viena como artista independente com todas as vantagens e desvantagens que essa situação implicava. Pode dizer-se que Beet­hoven foi o primeiro músico não assalariado e capaz de viver apenas da arte.

Através da sua arte, Beethoven trilhou a rota rumo à era moderna. Ele compôs obras-primas da história da música que vão muito além do seu contexto original, e mantêm plena validade até aos dias de hoje. Beet­hoven é um exemplo fascinante de que a criatividade humana não tem limites. Ele não era um homem de compromisso! No seu incansável desejo de renovação artística, Beethoven rejeitava a convenção ou a rotina. Ele era um individualista, um pensador transversal e visionário que expandiu as possibilidades da música e teve um impacto duradouro nas gerações de compositores e músicos que o seguiram. Além disso, algumas das suas composições foram criadas num estado progressivo de perda auditiva. Como criador artístico, tão impactante, tornou-se uma inspiração e um modelo para inúmeras pessoas.

Beethoven amava a natureza num sentido romântico e encontrava nela descontração, isolamento e inspiração. O desejo por uma vida rural acompanhou-o sempre. Com a sua obra musical Sinfonia Pastoral criou música que tem por objetivo evocar, em sua estrutura orgânica e cíclica, uma imagem sonora da natureza. A preocupação de Beet­hoven com a interação entre o homem e a natureza continua um tema atual - tendo em conta a degradação ambiental e as mudanças climáticas!

E o que fazemos em Lisboa e no Porto? O ano Beethoven 2020, comemorado em toda a Alemanha e além-fronteiras, será certamente muito inspirador e agradável, e muito gratificante para mim, como embaixador alemão. O panorama musical alemão, com toda a sua densidade única de coros, orquestras e teatros, pretende, mais uma vez, estar à altura da sua reputação como referência internacional da música clássica. O governo federal concede um total de 27 milhões de euros para todo este projeto do ano Beethoven. Só na sua cidade natal de Bona, o Estado, o concelho e a cidade patrocinam centenas de projetos e concertos. Além disso e para dar apenas um exemplo, a série de eventos chamada "Beethoven bei uns" ("Beethoven connosco") será lançada por toda a Alemanha - em casa, em clubes, em restaurantes, em igrejas e muitos outros sítios, sob a forma de concertos, leituras, palestras e apresentações sobre o compositor.

No dia 21 de junho, o canal cultural franco-germânico Arte irá transmitir ao vivo e de nove cidades diferentes na Europa, todas as nove sinfonias de Beethoven. Outro destaque do programa especial de aniversário é a exposição intitulada Beethoven. Welt. Bürger. Musik (Beethoven. Mundo. Cidadão. Música) que será exibida pela primeira vez na Bundeskunst­halle em Bona e depois - durante a presidência alemã do Conselho da UE - em Bruxelas. No dia 27 de outubro, em Lisboa, os músicos de excelência a nível mundial, Julius Berger e Margarita Höhenrieder, irão dar um concerto de violoncelo e piano no Centro Cultural de Belém - o auge cultural da representação local da presidência da UE. No dia 26 de maio, a embaixada convida para mais um concerto de Beethoven com o trio musical Burkhard-Maiss, desta vez no Porto.

Ao celebrarmos um dos gigantes da história cultural, salientamos: precisamos novamente, nos dias de hoje, do poder visionário com o qual Beet­hoven assumiu uma posição política e, acima de tudo, artística. O seu trabalho criativo conduz-nos diretamente a temas centrais de identidade e de futuro da nossa sociedade. A sua obra simboliza as conquistas democráticas de uma Europa unida, contra os falsos profetas e seus apelos à separação e à exclusão - a sua obra é um sinal de diversidade da qual retiramos a nossa força. Em resumo: o legado de Beethoven continua uma fonte de inspiração!

Embaixador da Alemanha em Portugal

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