Mãe, engoli o planeta!

Sou muito chata e desde bebés que os meus filhos tinham de me aturar com o "apaguem as luzes", "separem o lixo", "fechem a água, porque qualquer dia não há água no planeta". E tanto batia naquela tecla que um dia, tinha a minha filha 2 ou 3 anos e estava a tomar banho (eu estava ao pé dela, não é preciso chamar a CPCJ), quando a oiço gritar: "Mãe, engoli o planeta."

Naquele momento, a mãe enternecida e a jornalista que adora palavras andaram à bulha no meu cérebro. Ganharam as duas. Prometi a mim mesma que um dia escreveria um livro infantil sobre ambiente, faria daquela frase título e o dedicaria à minha filha.

Ainda não o escrevi, claro, mas talvez seja a altura de o fazer. E será precisamente sobre o passar das palavras à ação em matéria de defesa do ambiente por parte da geração que vai salvar o mundo. É que, quando perguntei ao meu filho (que já é adolescente), para efeitos desta crónica, se ele se preocupava com o futuro do planeta, revirou os olhos e respondeu: "Claro, mãe, a minha geração é a que mais se preocupa com questões ambientais." "Ah, é? Então e, além do paleio, o que é que fazes?" "Ai, ó mãe, sei lá." E foi-se embora, ver vídeos do YouTube.

Eu continuo com a cassete: "Fechem a luz"; "então, a reciclagem, sou só eu que faço?"; "sai do banho, que já estás há dez minutos com a água a correr"; "não, não vamos de carro, vamos a pé ou de metro", "mas, ó mãe...", "só vos faz bem, andar a pé"; "tens a certeza de que precisas de mais essas três camisolas e desses dois pares de calças, filha?", "sabias que a indústria têxtil é das mais poluentes?", e por aí fora. Mas eles é que são a geração que mais se preocupa com o futuro do planeta.

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