Supremacia

Desde 2011, o conflito na Síria transformou-se a um ritmo alucinante (e sangrento) de revolta antirregime em guerra civil, depois em guerra regional e agora numa miniguerra global, onde participam desde os Estados Unidos até à Austrália, passando por Rússia e França, para só falar de potências distantes.

Mas o palco sírio, por muito vistoso que seja, não deve criar ilusões de que existem vários países capazes de projetar força mundo fora. Na realidade, se excluirmos o poderio nuclear, não há rival à altura dos Estados Unidos, por muito que a Rússia desloque uma frota do Ártico para o Mediterrâneo ou que a França envie o porta-aviões Charles de Gaulle para as proximidades do Médio Oriente. Por muito impacto que estas ações tenham no conflito na Síria, não anulam o facto de os Estados Unidos serem o único país capaz de intervir em diferentes pontos do mundo em simultâneo e, portanto, do ponto de vista militar serem hoje a única potência global.

Um dado simples de entender sustenta este papel único da América: ter dez dos 15 porta-aviões do mundo. A Rússia, por exemplo, só tem um, o Almirante Kuznetsov, que hoje deverá passar ao largo de Portugal. E a França, quando dentro de meses puser o Charles de Gaulle no estaleiro para uma revisão técnica obrigatória, terá pela frente ano e meio de política externa e defesa sem o seu principal meio de projetar força.

Não é só fruto da vitória na Guerra Fria esta supremacia americana, mesmo que a maioria das bases que os Estados Unidos têm mundo fora existam há décadas. O poder do dinheiro é essencial, basta ver que o orçamento militar é quase dez vezes maior do que o russo. E três vezes maior do que o chinês, se bem que com o gigante asiático o fosso esteja a ser reduzido, o que significa que a médio prazo pode haver um maior equilíbrio global. Mas mesmo assim desequilibrado para o lado americano.

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