Poupar à custa de quê?

As ordens são claras: é preciso poupar, que os tempos são de vacas magras. Contenção é a palavra de ordem que justifica que se recomende que os militares andem mais a pé e recorram o mínimo possível aos carros, que se especifique que é possível fazer até 5 mil quilómetros sem ser preciso sequer mudar o óleo e que se deixe o aviso de que quaisquer despesas feitas sem autorização prévia podem acabar por ser pagas do bolso de quem cair na asneira de as encomendar, ainda que sejam necessárias. A comunicação, que chegou ao Comando Territorial da GNR com mais efetivos do país - são 1480 militares e mais uma centena de pessoal civil, divididos por toda a área do Porto -, não resulta de um esbanjamento de recursos. Antes se segue a uma série de medidas de redução de gastos que tem sido prosseguida desde os tempos em que a crise obrigou o país inteiro a apertar o cinto. E agora, alerta a Associação Profissional da GNR, após seis anos de sucessivos cortes no orçamento das forças de segurança, ameaça começar a dar problemas.
O que espanta aqui é que não tenha ainda havido casos sérios a assinalar. Com meios cada vez mais parcos, quanto se pode exigir a quem tem a missão de garantir a segurança no país? É esta a pergunta que tem de ser feita, sob pena de os esforços de contenção, que parecem imprescindíveis quando estão em cima da mesa as forças de segurança - apesar de aparentemente haver margem para aumentar outras rubricas, como o subsídio de alimentação -, sejam feitos à custa da segurança de todos nós. E talvez fosse útil recordarmos o ainda bem fresco episódio do roubo de armas em Tancos para entendermos de uma vez que desinvestir nas forças de segurança pode ter muito maus resultados. O assunto é sério e é urgente que se olhe para ele com a gravidade que se impõe. Uma avaliação correta dos recursos e um ajuste que tenha por base um esforço no sentido de garantir que é dada resposta às necessidades reais das forças de segurança do país é essencial. Ainda estamos a tempo de acordar antes que um pesadelo se torne real.

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