La grandeur de la France

Foi em Versalhes, onde por estes dias uma exposição relembra Pedro, o Grande, que Emmanuel Macron recebeu Vladimir Putin, com quem falou da luta ao terrorismo mas também da guerra na Síria e do conflito na Ucrânia. O ambiente grandioso e a homenagem ao czar do século XVIII até poderão ter agradado ao líder russo, mas foi a pensar sobretudo em si próprio que o presidente francês escolheu para a cimeira o palácio mandado construir por Luís XIV, o mais poderoso monarca da sua época.

Nenhum monarca posterior brilhou tanto em França como o Rei Sol nem sequer Napoleão, que acabou derrotado e exilado. Mas mesmo em república, os líderes franceses sempre sentiram necessidades de se dar ares imperais, como se tal ajudasse à projeção da influência do país. Na época recente, o general De Gaulle foi o exemplo óbvio, mas François Mitterrand insistiu nesse jogo e até François Hollande se deixou tentar pela exibicionismo, basta lembrar como foi a Tombuktu em 2013 celebrar a derrota jihadista às mãos das tropas francesas.
Macron, de 39 anos, tem pela frente vários desafios, e este de ser um presidente à altura da grandeur de la France é um deles. A idade, porém, não tem de o intimidar: Napoleão era mais novo quando se fez coroar imperador e De Gaulle não tinha feito 50 anos quando assumiu a liderança dessa França Livre que rejeitava o compromisso com os nazis.

Em poucos dias, o presidente francês conheceu o americano Donald Trump e Putin. Já conhecia a alemã Angela Merkel e outros líderes europeus, e na recente cimeira do G7, em Itália, também conversou com o japonês Shinzo Abe. Agora falta-lhe apertar a mão ao chinês Xi Jinping e ao indiano Narendra Modi, mas terá oportunidade em julho, durante a reunião do G20, em Hamburgo. Até agora tem-se mostrado seguro, sinal de que a França ganhou um governante à altura das pretensões.
Longe vão os tempos da França imperial. Mas o país é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, potência nuclear oficial, sexta potência militar ao nível dos gastos e sexta maior economia mundial. E a isso acrescenta uma influência cultural que vem dos tempos em que o francês era língua da diplomacia. Macron, porém, tem de saber os limites que o país de hoje impõe. E perceber que é através da União Europeia, e da parceria com Merkel, que pode ter impacto global.

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